Edwardian Bouquet, Floris

Esse é da época em que os perfumes não tinham gênero, não era ainda imposição da indústria a existência de uma fragrância feminina e outra masculina… também, sua criação ocorreu lá em 1901 (a Floris foi fundada em 1730 e já serviu a realeza), em celebração á nova era que se aproximava!

Nunca senti perfume tão dândi! Pura aristocracia engarrafada! Como se fosse o mais rico, elaborado e exclusivo sabonete de toucador!

É um intenso, ultra-retrô e elegantérrimo floral verde! Na saída percebo um cheiro verde quase herbal, pontilhado de cítricos nada doces, até um pouco passado, eu diria. Esmagados. Tem uma forte presença do jacinto, que deixa tudo mais ‘macio’ e refinado.

Depois de algum tempo surgem flores com breve toque animálico, são jasmins, rosas, ylang-ylang! E mesmo com essas notas de coração bem batidas, Edwardian Bouquet não se torna comum. Não perde a classe não!

No final sente-se almíscar sujinho – casa bem com o cheiro da pele – musgo-de-carvalho que empresta toda uma pompa e circunstância ao perfume, Bem nos finalmentes aparece o doce-leitoso do sândalo e algo viscoso, resinoso.

Edwardian Bouquet pede moderação, do contrário pode incomodar, principalmente por ser da ‘escola antiga’ da perfumaria, onde os perfumes não tinham que dar impressão de higiene, de luminosidade. Embora tenha forte aroma assabonetado, em nenhum momento é asséptico. É sim revigorante, mas nada de cheirinho de conforto e lençóis passados.

Notas de saída: notas verdes, bergamota, mandarina, jacinto.

Notas de coração: rosa, jasmim, ylang-ylang.

Notas de fundo: âmbar, almíscar, sândalo, patchouli, musgo-de-carvalho.

Sabe quem ficaria ótimo usando Edwardian Bouquet? Oscar Wilde. Aliás, o poeta, escritor e dramaturgo tinha como seu perfume preferido o Malmaison, também da casa Floris!

25 Perfumes Nacionais, por Daniel Barros

    

A-ti-re a primeira pedra quem nunca usou um perfume nacional! Boticário, Natura, Phebo, Água de Cheiro ou os famosíssimos e saudosos Rastro, Giovanna Baby… Pois é, a perfumaria nacional tem sim história para contar!

Segue link de uma criteriosa seleção de 25 sucessos de nossa perfumaria!

http://egoinvitro.com.br/nacionais/

O mercado brasileiro de fragrâncias superou o americano e se tornou o maior do mundo, com um faturamento de R$5,5 bilhões em 2013, sendo 57% de venda direta, 38% franquias e 5% varejo. São nacionais 93% do total de perfumes vendidos no Brasil. A venda direta é dominada por Natura, Jequiti e Avon; quanto às franquias, a marca campeã é O Boticário, seguida de Mahogany, L’Acqua di Fiori, Companhia da Terra e Phebo. Além da dominação pelo canal de venda direta, uma característica própria da perfumaria nacional é a denominação “deo-colônia”. Isso é devido a questões tributárias – fragrâncias com até 10% de concentração podem ser consideradas artigos de higiene pessoal e incorrer em IPI de 7% se forem rotuladas como “deo-colônia” (do contrário o IPI é 42%). O resultado é uma percepção de que perfumes nacionais são aguados, quando na verdade têm a mesma concentração de um EDT importado. Há, contudo, uma impressão geral de que os nacionais são pouco inovadores e quase sempre com cara de contratipo de algum importado, mas isso é culpa tanto do conservadorismo das marcas, que encomendam dessa forma ao fabricante, quanto dos consumidores, que costumam querer um produto parecido com o importado por um valor mais em conta.

Detchema, Revillon

Imaginem só né… falei aqui do Detchema como um perfume ‘perdido’, como algo fora da minha realidade, visto o valor de venda dos vintages ou da edição especial da Jovoy. Mas quem tem amigos tem tudo, e eu ganhei um decantão do Detchema vintage da querida Rosângela Correa! É ou não pra morrer de amor, gente?

Detchema foi lançado em 1953 e citado no clássico filme ‘O Bebê de Rosemary’. Aliás, ô filme para fazer referências a odores né? O Detchema, o pomander que Rosemary ganha de sua vizinha repleto de raiz da erva tannis…

Mas agora vamos direto ao ponto: o Detchema! É um perfume floral de muitas faces. Inicia com alta dose de aldeídos, o lactônico do pêssego, uma brevidade de neróli logo encoberta pela força do jacinto. Aliás o jacinto fica lindo combinado com o pêssego e os aldeídos, fica ainda mais verde, profundo e com cheiro de algo limpo, algo que foi esfregado. Quase sempre acho que jacintos têm um cheiro meio angelical, meio etéreo – e eu viajei bastante…

Depois de um tempo mostra um belíssimo bouquet floral: são cravos, rosas, jasmins, lírios! Ora são flores bem frescas, outra repletas de néctar e adocicadas, outra ainda são flores já quase murchas, com o jasmim deixando sua porção animalesca tomar conta junto com o cravo picante.

As notas de base de Detchema são um desafio, tem muita coisa ali! É couro, é sândalo, é almíscar, é vetiver (ai, agora viajei mais ainda! A raiz do vetiver me fez pensar na raiz da erva chamada tannis do filme), tem íris. É tudo: tem a selvageria do couro misturado ao vetiver, a maciez do almíscar mesclada a doçura e viscosidade do âmbar, a feminilidade do sândalo e da raiz de íris, que dão lá no finalzinho um breve efeito powdery ao perfume.

Perfume bem vintage, daqueles que não são mais vistos – e feitos – por aí. Um belísismo exemplo de perfume floral à moda antiga, sem gulodices culinárias, sem cheirinho de ‘roupa lavada’, sem bobices. Acho Detchema a cara dos anos 60/70. A cara da Twiggy, da revolução sexual que a pílula anticoncepcional permitiu, a cara do Grateful Dead, a cara dos vestidos de estampas geométricas, da mini-saia…

Notas de saída: aldeídos, pêssego, jacinto, neroli, bergamota.

Notas de coração: cravo, jasmim, ylang-ylang, lírio-do-vale, rosa.

Notas de fundo: couro,sândalo, fava tonka, âmbar, almíscar, raiz de íris, vetiver.

    

La Petite Fleur d’or, Paris Elysees

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Sexta feira recebi um presentão da Paris Elysees: toda a coleção La Petite Fleurs! Já falei aqui do La Petite Fleur Blanche, e agora vou contar um pouco do La Petite Fleur d’or. O que faz ele ser especial? Ele tem Oud natural em sua formulação, negociado pela marca diretamente em Dubai! 

O frasco, bem como todos da coleção La Petite Fleur, lembra o lendário Coque d’Or da Guerlain e as tampas são uma atração a parte! Belíssimas flores, nesse caso dourada e negra e bem firme (nada de pétalas soltas). Tem bom encaixe, nada daquelas tampas que já anunciam um acidente e frasco de perfume espatifado no chão.

O oud é percebido logo no primeiro momento, junto com breves notas cítricas e uma especiaria bem exótica (e cara), o açafrão! Na hora pensei em curry e toda sua exótica mistura de especiarias!

Depois de uns 15 minutos na pele aparecem rosas bem semelhantes as usadas na perfumaria árabe e outras notas amadeiradas. Nesse ponto achei que o La Petite Fleur d’or lembrou muito um attar e toda sua intensidade e nobreza.

Nas notas de fundo encontrei patchouli, sândalo, incenso e uma faceta mais terna e domesticada do oud. Vem macio, adocicado, lapidado. Pensei no perfume como uma interpretação sobre o oud, várias ‘faces’ de tal preciosa madeira me foram apresentadas: o início selvagem, picante, agridoce. O meio polvilhado de rosas e o final mais brando, com uma pitada de ternura.

La Petite Fleur d’or é um perfume muito marcante e no melhor estilo ‘perfumaria oriental’. Perfeitamente compartilhável.

Que delícia encontrar em terras nacionais com preço acessível, um belo perfume feito com o tão festejado oud! E natural, além de tudo!

Notas de saída: bergamota, açafrão

Notas de coração: absoluto de rosas, violetas, madeira guáiaco, cedro, oud.

Notas de fundo: patchouli, musgo branco, sândalo, ládano.

O perfume foi gentilmente cedido pela marca. Obrigada, Paris Elysees!

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Passion, Annick Goutal

Já tenho o Passion faz um bom tempo, mas até então não tinha rolado um entendimento entre nós.

Mas tem perfume que é assim, precisa de um flerte mais demorado, cortejo e galanteios até que ele se abra e revele sua beleza. Outros já são mais atirados e de cara despertam desejo… O Passion, apesar do nome, é do primeiro tipo.

Embora tenha em sua composição flores brancas, baunilha, patchouli e musgo de carvalho, Passion é um floral equilibrado, gentil e carinhoso.

Começa com tuberosa de nuance plástica e um curioso cheiro de tomate cereja! Algo entre o doce e o ácido, dá uma boa dose de frescor! Depois de alguns minutos aparece o jasmim, que pega a tuberosa pela mão e a leva pro caminho mais narcótico, animálico. Mas só o comecinho de tal caminho, nada de mergulho devasso e intoxicante.

Soma-se a tais flores o ylang-ylang com cara de antigamente, chega e já dá tonalidade retrô ao perfume. E o corpo do Passion se torna um floralzão com pinta de anos 70/80, extremamente feminino.

No final senti um breve dulçor de baunilha e a força selvagem do musgo-de-carvalho.

Eu diria que é um perfume simples e sem grandes arroubos, porém de imensa qualidade. As notas olfativas são de grande realismo, muito de aproximam com os cheiros naturais das flores. Bom, pelo que sei a marca utiliza-se de matérias primas naturais para a elaboração de suas fragrâncias, deve ser isso…

E com o perdão do trocadilho, eu que até então mal tinha reparado no Passion, estou apaixonada!

Foi criado por Annick Goutal em 1983.

Notas de saída: tuberosa, folhas de tomate.

Notas de coração: jasmim , ylang-ylang, baunilha.

Notas de fundo: patchouli, musgo-de-carvalho.

Annick Goutal foi pianista e modelo. Trabalhando com perfumistas na criação de um creme facial, descobriu sua vocação para a perfumaria. Inspirava-se em suas experiências pessoais, pessoas e lugares amados. Faleceu em 1999 aos 53 anos, vítima de câncer e desde então sua filha Camille, a quem Annick dedicou uma de suas fragrâncias, deu continuidade ao legado de sua mãe e continua a criar fragrâncias em companhia da perfumista Isabelle Doyen.

La Belle Annick

Fórmula do Humor, Natura

Antes de mais nada, informo que esse perfume já foi descontinuado pela Natura. Mas ainda consegue-se encontrar a venda em mercados virtuais, grupos de desapegos e nessas lojas de pronta entrega que revendem a marca.

Fórmula do Humor é perfeitamente compartilhável e casa lindamente com o outono! É ao mesmo fresco e adocicado, fixa bem e exala de forma ponderada.

A Louca aqui teve uma leitura diferente do que é dito nas notas olfativas oficiais. Vou falar das minhas impressões…

Logo ao aspergir o perfume na pele senti um intenso acorde fougére todo embrulhadinho em âmbar! Depois senti algo ao mesmo tempo picante e doce, achei que era mirra. Senti ainda algo carameladinho misturado a avalanche de âmbar da base, que o tempo todo se faz presente. Existe ainda ali uma nota folhosa que dá certo frescor e leveza ao perfume. Achei que era lavanda… Na base tem um vetiver simpático, que tende a ter cheiro de produto de limpeza, coisa de cera e lustra-móveis. E não pense que isso desabona o perfume!

Fórmula do Humor é um perfume bem agradável viu? Se encontrar dando sopa por aí, experimente! Não é o perfume de grande evolução na pele, o que acontece é uma ‘maturação’ da nota ambarina. Ela começa permeada de folhas verdes e com o tempo acaba ficando mais adoçada, caramelizada. Em outra interpretação, é um doce âmbar apimentado e controlado pelo frescor do vetiver e de folhas verdes.

Foi lançado em 2011.

Notas olfativas oficiais:

Notas de saída: pimenta preta, pimenta rosa.

Notas de coração: folhas de violeta.

Notas de fundo: âmbar, vetiver, madeiras.

Veja outra opinião sobre ele aqui.

50 Perfumes Descontinuados, por Ego in Vitro

Atire a primeira pedra, fã da arte da perfumaria que não chora por um perfume que não é mais produzido! Todos nós sentimos a ‘perda’ de um perfume querido que foi descontinuado.

Mas porque isso acontece? São diversas as possibilidades. Segundo o texto, ‘pode ser por rejeição do público, baixas vendas e alto custo de produção’. Outra coisa, ‘a perfumaria está muito ligada à saúde e, por isso, sofre inúmeras restrições. Uma fragrância é aplicada na pele e, assim, absorvida. O maior risco que a IFRA (Associação Internacional de Fragrâncias) quer evitar com suas regulamentações é o das dermatites de contato. Matérias-primas naturais ou sintéticas perigosas sofriam menores restrições no passado, o que propiciava a um perfumista maior liberdade de criação. Novas normas aparecem a cada ano e as casas de fragrâncias recebem um prazo de 10 anos para encontrar um equivalente (natural ou sintético). Perfumaria é um negócio como qualquer outro, então uma decisão tem de ser tomada: reformular ou descontinuar’.

Amigas e amigos, nos resta buscar os queridinhos desaparecidos nos mercados virtuais, em grupos de trocas e vendas e em perfumarias escondidas de sua cidade, ás vezes temos sorte! E preparar o bolso, pois perfumes descontinuados se tornam raros e cobiçados. A maioria das vezes o preço é alto.

E você, por qual chora?

Leia a seleção dos 50 Perfumes Descontinuados aqui.

Ma Griffe, Carven

Em primeiro lugar essa resenha não será um comparativo entre o Ma Griffe criado por Jean Carles em 1946. Porém será inevitável invocar, em alguns momentos, o perfume vintage.

Vamos falar um pouco da Carven? Melle Carven, também conhecida pelo seu nome de nascimento de Carmen Tommaso nasceu em 31 de agosto de 1909, em Chatellerault, Viena. Em 1945, num apartamento com vista para a famosa Champs-Elysées que Melle Carven abriu a sua casa de alta-costura, ela que até esse momento jamais trabalhara no mundo da moda. Porém, sentia-se animada por uma ambição muito original: vestir mulheres de pequena estatura, que, tal como ela, não tivessem mais de 1.55m. Desenharia igualmente inúmeros vestidos de noiva. Caracterizado por uma elegante frescura e por uma alegria juvenil, o seu estilo impôs-se rapidamente. O famoso tecido de riscas verdes-claras e brancas, jovem e dinâmico, ficou para sempre associado à imagem da casa. Logo Melle Carven conheceu um homem de negócios que lhe propôs criar um perfume. Foi sem que surgiu Ma Griffe, um dos grandes clássicos da perfumaria parisiense (vide fonte abaixo).

Em 2013 a marca nos trouxe um novo Ma Griffe. Do antigo ele possui as listras na embalagem, a mesma família olfativa – chypre floral – porém simplificado, mais arejado. Tem sim uma espírito retrô, uma coisa toda soapy durante sua evolução.

Abre com notas florais bem verdes, flores em botão ainda imaturas. Para mim era lírio, gardênia, muguet e jacinto, tudo aspergido da seiva da casca de alguma fruta cítrica. Encontrei ali algo de grama recém cortada, de orvalho em uma manhã de outono. Quando essa ‘onda’ passou, depois de alguns minutos, ficou a impressão de que o perfume já tinha cumprido seu papel e que era só isso. Que viria uma nuvem de almíscares sintéticos para dar a sensação de limpeza e conforto e só. Ledo engano…

Depois de uma hora e meia na pele a sensação verde retorna, acompanhada de um belíssimo e elegante efeito assabonetado, Embora não conste na lista oficiai de notas, acredito que existam aldeídos aí. Ô, se tem!

O jasmim, o ylang-ylang e o sândalo surgem tão lindos! São falsamente limpos e exóticos, dão certa cremosidade e doçura ao perfume!

A nota de base que mais se destaca é o vetiver. Agridoce, amadeirado, arisco. As demais notas são coadjuvantes e só estão ali para controlar o vetiver, para torná-lo mais ‘macio’ no contato com  a pele…

Ma Griffe é um perfume arrojado, com alma retrô, elegante e exótico. Soube rejuvenescer sem ficar irreconhecível, sem perder a identidade (como exemplo, o novo Dolce & Gabanna Pour Femme, que nada carrega do perfume ‘pai’ de 1992)!

Notas de saída: bergamota, limão, gardênia.

Notas de coração: jasmim, rosa, sândalo, ylang-ylang.

Perfeitamente compartilhável!

Fonte: http://100perfumesbylubi.blogspot.com.br/2009/08/28-ma-griffe-carven.html