Tumulte, Christian Lacroix

Olha, faz tempo que eu queria conhecer esse perfume viu? No dia em que eu e a Adriana Meire fizemos aquela baguncinha aqui em casa, ela trouxe um precioso flaconete cheio de tal delícia! 
Sabe o que o Tumulte é? Seda vermelha. Melhor: é a seda vermelha da decoração de um ambiente com temática oriental. Entre luminárias de papel arroz, tatames e futons, existem calorosos, táteis e sensuais detalhes em seda vermelha. 
Tumulte foi criado em 2005 por Francoise Caron, e claro, óbvio, está descontinuado…
Notas de saída: mandarina, frésia, rosa.
Notas de coração: íris, heliotrópio, rosa.
Notas de fundo: fava-tonka, patchouli, almíscar.
Tumulte começa abafado, fechado, particular. São rosas adultas, cheias de mistério. Logo senti o aroma do heliotrópio e da íris, que deram profundidade à rosa. Ficou mais cremosa, mais macia, mais tátil. Sinto o mesmo toque ‘atalcado’ do Kenzo Flower. Juro que tem alguns momentos onde eles se tornam semelhantes…
No final, Tumulte apresenta uma faceta profunda, terrosa, escura: acredito que seja o papel do patchouli. A fava-tonka dá uma ‘apimentada’. 
Na verdade, acho difícil falar do Tumulte. É um perfume de rosas, porém são rosas escuras, empoadas e fetichistas. Não chegam a ser góticas, mas estão á caminho…
Tem algo de ‘antigo’ nessas rosas. Tem algo de profano, algo de inocente, algo de dramático. E é bonito!
 

 

 

Eau des Baux, L’Occitane

Fiz uma troca de delicadezas com a querida Barbarella, e tive a oportunidade de conhecer o Eau des Baux, da L’Occitane. Teoricamente ele é masculino. Mentira. É perfeitamente compartilhável.
Segundo informações da L’Occitane, o perfume foi inspirado em uma antiga ordem de cavaleiros medievais: Les Baux (lê bô, é assim que se fala) de Provence é uma lendária cidade-fortaleza no sul da França. Os ‘Cavaleiros de Les Baux’ tinham o cipreste comosímbolo de força e coragem. A cor da caixa é vermelho escuro, referência a cor do uniformede tais Cavaleiros, e a estrela de ouro e prata na caixa e no frasco também era um dos seus símbolos.
E agora faz algum sentido, e explico o porque: ao borrifar o perfume, fui invadida por uma baunilha exibida, cheia de si. Não arrogante ou petulante, pois isso acarretaria em antipatia. Ela é aparecida mesmo, quer ser o centro das atenções. Aposto que esses Cavaleiros de les Baux também se achavam…
Além de tudo, essa baunilha vem cheia de adereços, cheia de nuances de outras notas olfativas! A baunilha é o Cavaleiro mais festejado, o mais corajoso e querido entre os habitantes de tal vila. A fava-tonka, o cardamomo, o cipreste (com cheiro de folhas de pinheiro esmagadas), o incenso são sim cavaleiros importantes, porém menos condecorados. 
Sinto em Eau des Baux uma grande festa olfativa, sem grande distinção entre as fases evolutivas do perfume. Pra mim as notas aparecem todas juntas, aos borbotões. Só no final que a baunilha se torna incensada, com um quê ambarino, e perde toda sua ostentação. Torna-se sensual.
Se eu fosse colocar uma ‘ordem’ em tal desfile, ficaria assim: baunilha – fava tonka – algo atrevido, apimentado, porém breve – cardamomo (com uma leve nuance de gengibre cristalizado) – cipreste (que eu sinto como folhas de pinheiro) – incenso – notas ambarinas – chocolate.
Na verdade, pouco difere das notas de sua composição…
Notas de saída: pimenta-rosa, cardamomo.
Notas de coração: cipreste, incenso.
Notas de fundo: baunilha, fava-tonka. 
Então, tais Cavaleiros me conquistaram… 
 

 Região de Les Baux-de-Provence, França.

Les Fleurs: Lavande, Molinard

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E lá venho eu com mais um Molinard… Esses dias andei desejando o aroma relaxante e acolhedor da lavanda, porém não queria nada vindo das colônias infantis. Lembrei-me então do Les Fleurs: Lavande, da Molinard! Perfume de poucas notas, sem grandes ambições. É lavanda.

Abre herbal, verde, adstringente. Alguns dirão que lembra desinfetante. Justo, uma vez que o cheiro da lavanda é utilizada até a exaustão por fabricantes de produtos de limpeza… E o perfume tem mesmo aquela nuance limpa, séptica.

Logo depois a lavanda ganha um toque mais pesado, atalcado, empoeirado. Parece que estamos carregando uma cesta de ramos de lavanda em um quarto todo rococó, cheio de móveis de madeira maciça polida e roupas femininas antigas. Na penteadeira de tal quarto temos grandes potes de talco, daqueles que vinham com aquelas esponjas pom-pom!
Les Fleurs: Lavande foi criado em 1996 e é considerada uma fragrância unissex. Seu aroma dura até 4 horas na minha pele.
Notas de saída: lavanda.
Notas de coração: lavanda, sândalo.
Notas de fundo: baunilha, almíscar, ládano (esteva, Cistus ladanifer).
Não sinto nada de baunilha em tal perfume. Acho que o toque atalcado e empoeirado possa vir do sândalo. E ainda acho que Lavande tem algo de boudoir, de sensual: o cheiro de limpeza remete a algo íntimo, ao corpo nu e ao cuidado pessoal. Essa a delicada sensualidade desse perfume…
No final, reconheço de leve, quase como um sopro, o almíscar da base. Cheiro de pele.
Já li algo no site da Molinard sobre o perfume ser elaborado com óleos essenciais vindos dos campos de lavanda da própria marca. E acredito, uma vez que a marca é uma das que mantém as tradições perfumísticas da cidade de Grasse, considerada a capital mundial do perfume.
E acredito também por causa do aroma: é uma lavanda vívida, imperativa! É a senhora dos campos!
Telas de Edgar Degas, da série ‘Mulheres no seu toillete’.

Ainda sobre o Botrytis, Ginestet…

Pesquisando um pouco mais sobre tal perfume, encontrei uma referência aos ‘vinhos botritizados‘, O que seria? O que te a ver com o perfume? Tudo. Vejam só:

BOTRITIZADO – vinho de sobremesa doce licoroso, feito com uvas botritizadas, isto é, contaminadas com o fungo Botrytis cinerea. Em poucas regiões do mundo de microclima específico como Sauternes na França, esse fungo, ao invés de destruir as uvas, perfura-lhes as cascas grãos, provocando a saída de água e concentrando o açúcar. As uvas assim contaminadas ficam com aspecto de uvas passas e/ou apodrecidas, daí o nome podridão nobre (“pourriture noble”,no francês, e “noble rot”, no inglês).

Agora entendo porque sinto nele uvas passas…

Informação retirada do site: http://www.academiadovinho.com.br/biblioteca/glossari.htm#bb

Maiores informações sobre vinhos Botritizados aqui: http://www.curitibavinhos.com.br/2012/08/podridao-nobre-vinhos-botritizados.html

Botrytis, Ginestet

Conheci várias pessoas incríveis no Encontro Perfumado da APP. Entre elas, a Andréa Faria, que gentilmente me deu uma série de amostras luxuosas, e entre elas o delicioso Botrytis!
 
Antes de tudo, vamos falar um pouco da Ginestet… É francesa, tem mais de cem anos de idade e produz vinhos lendários. Foi fundada por Fernand Ginestet em 1897 e estabeleceu-se em Quais de Bacalan, em Bordeaux. 

O trabalho da casa Ginestet baseia-se na consolidação da administração e da produção de vinhos que possuem o emblema Ginestet tanto na França e no mundo. Desenvolveu uma série de marcas de acordo com diferentes exigências dos consumidores: Ginestet , Frances Raízes, CAP270 por Ginestet e Marquês de Chasse.

Em 2008, Ginestet apresentou as duas primeiras fragrâncias: Brotytis e Sauvignonne. Seus aromas são inspirados por alguns dos aromas utilizados nos vinhos, os aromas primários de vinhos de Bordeaux. As fragrâncias são criadas em colaboração com a prestigiada Floresence, perfumaria de Grasse. A produção começou com a seleção de três vinhos: vinho branco seco, vinho tinto e Sauternes. Esses vinhos foram enviados para um instituto enológico em Bordeaux para descobrir as moléculas primárias que são posteriormente usadas na elaboração das fragrâncias.

 
 Botrytis é delicado e marcante ao mesmo tempo, cheio de personalidade! Sinto nele uvas passas brancas embebidas em Martini delicadamente colocadas sobre uma camada de mel de flor-de-laranjeira, aquele mel clarinho, sabe? Sinto ainda flores silvestres e uma baunilha com cheiro de biscoito discreta. Tem cheiro de compota as vezes, de doce caseiro cozido por horas em panela de ferro…
 
Como sou de ‘viajar’, diria que é o perfume de Baco: sedutor, gustativo, inebriante, tentador. Dá vontade de lamber a pele que exala tal aroma, de cheirar mais de perto, de perder a linha…
 
Notas olfativas: mel, frutas secas, flores brancas, âmbar, uvas, marmelo, Gingerbread (seria biscoito de gengibre, o boneco de biscoito do filme do Shrek?).
 
Enfim, desejo um Botrytis! Quero me inebriar e brindar a essa delícia, quero ter minha parte Bacante satisfeita!
 
El Baco, por Leonardo da Vinci, posteriormente identificado por São João Batista. Fico com a primeira opção. 
 

Essa tal acomodação olfativa…

Também chamada de ‘saturação olfativa’. Entre as principais queixas de usuários de perfumes, está o fato de não sentirmos a fragrância após algum tempo de utilização, que pode ser de minutos até horas depois de borrifar tal perfume. Ok, ok, as vezes alguns perfumes pecam pela qualidade, mas pode ser a tal acomodação olfativa.

Colhem tantas flores que nem sentem mais o aroma delas, coitadas…

Vamos entender melhor? (texto retirado do site: http://www.acquabluecosmeticos.com.br/acomoda%C3%A7%C3%A3o-olfativa.html)

Acomodação olfativa como o próprio nome indica, significa que o olfato está acomodado. Longe de ser algum tipo de doença, é um recurso de nosso corpo para nos ajudar em determinadas circunstâncias. Imagine que você trabalhe em uma fábrica de sardinha. O cheiro de peixe é intenso. Se sua percepção deste cheiro for a mesma todos os dias, provavelmente você sentirá enjoos e até mesmo dor de cabeça. Também dificilmente você terá a percepção de outros odores, uma vez que o forte cheiro de peixe se sobre põe aos outros. Por isso o nosso corpo faz uso deste recurso, de acomodar o olfato, em relação a um forte cheiro contínuo. Desta forma ele previne uma série de consequências desagradáveis. No entanto embora um funcionário antigo em uma fábrica de sardinha, não sinta mais o forte cheiro de peixe, este cheiro está presente ali, e um funcionário novo terá a percepção exata deste odor.

No caso de usuários de perfumes a acomodação olfativa surge quando usamos sempre o mesmo perfume ou quando o aroma é compreendido como ‘agressivo’ pelo nosso organismo. O olfato fica acomodado em relação ao perfume específico e talvez o usuário não perceba mais o cheiro como antes. No entanto o cheiro do perfume está presente em seu corpo, e a evidência disso está na percepção que outras pessoas tem ao seu perfume.

Você pode evitar ter acomodação olfativa por utilizar mais de um tipo de perfume, e alternar a utilização dos mesmos. Muitas pessoas utilizam um tipo de perfume para o dia e outro para noite. Durante o dia o clima é mais quente, o que favorece a utilização de perfumes mais frescos. Durante a noite o clima é mais fresco o que favorece a utilização de perfumes mais marcantes. Se você alternar a utilização de vários perfumes, terá sempre uma percepção aguçada em relação a sua fragrância.

Pois é… as vezes achamos que o perfume já se foi, não tem nada dele aí, e de repente, alguém solta algum comentário sobre ele! Aposto que todo mundo já passou por uma situação dessas. Pois é a tal da Acomodação Olfativa!

Vanille Marine, Molinard

Antes de tudo, meu celular está sem bateria e estou com uma preguiça danada de tirar foto do meu. Peguei a imagem no sote da Fragrancex…

Mais uma baunilha bonita da minha querida e amada Molinard! Vanille Marine é diferente: com leve toque herbal, algo salino e aquático, abre alcoólico, mas passa rápido. Daí vem a baunilha e o caramelo para adoçar os sentidos e causar aquela sensação de conforto e gula. Tem uma leve nota herbal que acredito vir da sálvia-dos-jardins (Salvia sclarea) e não posso dizer mais, pois já vi tal planta, mas nunca senti seu aroma. Só sei que é diferente da Salvia que usamos como tempero…

É daqueles perfumes que abrem com baunilha intensa, mas logo ela se dissipa entre notas florais e a nota verde-resinosa-balsâmica do pinheiro, torna-se mais suave e menos gustativa. Aparecem ainda aromas aquáticos, brevemente salinos, verdes desbotados. O caramelo funciona como um elo, une os aromas verdes/florais/aquáticos com a ternura da baunilha e os ‘amarra’ em um abraço exótico e delicioso! 

Famíla olfativa: Oriental Fougere.
Notas de saída: sálvia dos jardins, baunilha, caramelo.
Notas de coração: jasmim, lírio-do-vale, junípero (pinheiro).
Notas de fundo: âmbar, musgo, notas marítimas.
E acreditem: ficou interessante a mistura de pinheiro, baunilha, notas marítimas e flores. E o melhor, não ficou com cheiro de Natal (sabe, o pinheirinho, os doces, as flores das guirlandas…).
Vanille Marine é uma mistura de paisagens: tem a baunilha e as notas marítimas que nos lembram ilhas paradisíacas e quentes; tem o pinheiro, a sálvia e o musgo que nos lembram das florestas frias européias (norueguesas?). Um contraste que deu certo, ficou exótico!

Plenamente compartilhável.

 

Shalimar Parfum Initial L’eau

Sim, ele já foi resenhado muitas vezes, mas assim mesmo darei minha opinião sobre ele. Já falei do Shalimar-pai, agora falo do Shalimar-filho!

Enfim, um perfume cor-de-rosa feito para jovens que me conquistou! Aparece como uma ‘iniciação’ para as novas gerações na perfumaria Guerlain, uma preparação para um dia conhecer (e se render) aos grandes e tradicionais perfumes da marca. É uma aproximação, é ‘meu primeiro’ Valisére Shalimar. A piada pode ter sido infame, mas o conceito é o mesmo: os primeiros contatos de uma jovem com o universo feminino adulto…

O apresentação do perfume é uma releitura do eterno, clássico, infinito Shalimar. A tonalidade rósea do líquido o torna ainda mais atraente, delicado, feminino.

Seu aroma é delicioso: Shalimar repaginado, mais moço. Os cítricos são bem marcados na saída com forte aroma de casca de limão sobre talco delicado e abaunilhado. Senti algo levemente gourmand nele: parecia a cobertura de amêndoas confeitadas ou daqueles marshmallows coloridinhos e macios, mas durou pouco. As notas florais são gentis (com destaque para a rosa, os lírios e a íris) porém presentes e possuem um discreto e feminino ‘cheiro de maquiagem’, daquele que só a Guerlain faz tão bem pra você!

Foi apresentado ao público em 2011 e o nariz responsável por ele é Thierry Wasser.

Notas de saída: neróli, bergamota, grapefruit, laranja.

Notas de coração: rosas, frésia, jacinto, lírios, íris, jasmim.

Notas de fundo: fava-tonka, baunilha.

Me surpreendo com a capacidade da Guerlain em transformar a baunilha em algo boudoir, enquanto tantas outras marcas usam a baunilha como em uma receita de bolo…

Para as que se importam com fixação, Shalimar Parfum Initial L’eau fica na pele por umas 4 a 5 horas. Depois desse período deixa um traço empoado e floral na pele, com leve nuance almiscarada, embora o almíscar não esteja em sua composição.

Taí um perfume ‘pra moça’ bem feito e com ares clássicos! Adorável!

Must, de Cartier

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Quanta riqueza Must encerra em seu frasco! Ganhei tal perfume em um sorteio ou em uma gincana, como preferirem, da querida amiga Ju Toledo. Pois é, dei sorte. Logo eu que nem rifa de quermesse nunca ganhei!
Must tem cor de perfume oriental, é de suma elegância, sensualidade, calor e tem tantas notas que é impossível distinguir todas elas.
É desses perfumes que não se faz mais, que pode agredir o olfato alheio se aplicado em excesso. Em resumo, é dos anos 80.
Foi criado por Jean-Jacques Diener em 1981 e tem notas portentosas, intensas, ricas e até mesmo agressivas.
Notas de saída: aldeídos, abacaxi, mandarina, gálbano, pêssego, bergamota, pau-rosa, limão.
Notas de coração: cravo (flor), couro, narciso amarelo, almíscar, orquídea, jasmim, vetiver, neroli, ylang-ylang, rosa.
Notas de fundo: sândalo, âmbar, fava-tonka, baunilha, vetiver, civeta.
E não vou mais falar de notas. São muitas, assumo que não consegui achar a maioria. Vou falar de sensação, de subjetividade.
Must inicia na cozinha, com cheiro de frutas maduras em calda, daquelas que foram fervidas por um bom tempo com ramas de canela e outras especiarias em abundância. Logo deixo as frutas de lado, e sou levada a um salão mobiliado com os mais ricos móveis, das mais raras madeiras polidas com o mais importante dos lustra-móveis. Móveis impossíveis e rebuscados trazidos do oriente, feitos de jacarandá, sândalo, madeira-caxemira e canela. Alguns desse móveis abrigam peças de vestuário em couro macio, ou melhor: pelica e camurça. Tal cheiro de couro ‘morde’ o cheiro das madeiras polidas e cálidas, dá um toque selvagem e sensual.
No cômodo ao lado do salão dos móveis impossíveis temos uma profusão de vasos e jarras cheias de flores, das mais diversas flores e formatos, exóticas! Temos arranjos de ylang-ylang e orquídeas aos montes! Estariam preparando a casa pra uma festividade, para o casamento do sultão com Sherazade?
Depois de tudo ainda passamos por uma saleta de paredes douradas e texturizadas onde ficam armazenadas preciosidades: essências, pós, grãos e garrafas contendo líquidos castanhos, rubros, amarelos! 
E tal ‘viagem’ dura muito tempo. Must tem fixação e projeção épicas! Tudo que penso quando lembro de Must é acobreado, profusamente decorado, com detalhes dourados e plenos de fartura e riqueza. 
Must foi trazido como prenda para Sherazade por Simbad, o Marujo…