Prada Amber, Prada

Imagem

Fui hoje comprar meu cobiçado Habit Rouge na loja do chinês mais simpático (e doido) da 25 de março, o Sr. Bao. Saí de lá com ele e de quebra ganhei um tester do Prada Amber (pela metade, com a válvula quebrada, a plaquinha de metal descolada e sujo, sujismundo de ter crostas de poeira). Mas enfim, cavalo dado não se olha os dentes e fiquei é muito feliz com o presente! Só limpar e dar uns truques que o perfume ficou bem apresentável, vide foto. Sr. Bao, o Sílvio Santos chinês, sou muito grata!

O que dizer do Prada Amber… foi criado por Carlos Benaim, Max Gavarry e Clement Gavarry e é o cúmulo do que um oriental amadeirado deve ser! Quanta sedosidade e fluência em um só perfume! Macio e cálido, escorre de modo melífluo. É sexy, envolvente, adulto, misterioso! Faz a linha do Jungle Elephant, poderoso, exótico!

Já tinha lido resenhas lindas sobre ele no Perfume na Pele, e até então me contentava com a amostra que ganhei de uma amiga querida também louca por perfumes. Agora me delicio com mais fartura! 

Prada Amber é resinoso, ambarino, amadeirado, terroso e tem uma atmosfera “dark”. Nada de perfume água com açúcar! É daqueles viciantes e perversos, que viciam e apaixonam…

Notas de saída: notas verdes, estragão, notas frutais, bergamota. Aqui as notas verdes tem seu breve momento de estrelismo, bem como o toque herbal do estragão. Logo se tornam mornas devido as notas do coração e da base.

Notas de coração: mel, cravo (flor), jasmim, ylang-ylang, rosa. O ylang-ylang é pronunciado, bem como a nota de mel que dá um toque doce nada enjoativo, é pura provocação!

Notas de fundo: A perfeição! Sândalo, âmbar, patchouli, almíscar, benzoim, musgo-de-carvalho e baunilha. As notas são tão bem “encaixadas”, não achei outra palavra, que para mim ficou difícil separá-las. A evidência maior em minha opinião são o sândalo, o âmbar (que diz a lenda ser tintura de âmbar gris natural, isso mesmo, aquele de origem animal), o benzoim resinoso e levemente amargo e a baunilha soberana e muito bem dosada. 

Além de tudo, na bonita plaquinha prateada de cima do frasco vem escrito que ele contém: sândalo indiano, patchouli da Indonésia, resina de ládano francesa e benzoin do Sião. 

Agora digam, pessoas que gostam de perfumes exóticos e poderosos, dá pra resistir a tamanha abundância perfumística? É um abuso, esse Prada Amber!

 

Hypnotic Poison, Dior

A pedido de uma leitora de Portugal, falarei do Hypnotic Poison. Não o possuo, apenas uma amostrinha gentilmente cedida por uma amiga. Mas desejo um frasco de 100ml para me embriagar a vontade!

Foi criado em 1998 por Annick Menardo e pertence a família olfativa Oriental Vanilla, uma das preferidas.

Seria redundante dizer que Hypnotic Poison é hipnótico? É envolvente, sedutor, uma verdadeira poção mágica! Um dos poucos perfumes que de fato merece um vidro vermelho!

Notas de saída: apricot, ameixa, coco.

Notas de coração: tuberosa, jasmim, lírio-do-vale, rosa, jacarandá, alcarávia (cominho).

Notas de fundo: sândalo, amêndoa, baunilha, almíscar.

Geralmente não gosto da nota de coco, mas aqui ela aparece leitosa, nada tropical ou alcoólica, e além do mais é sutil e delicada. Mesmo a tuberosa, que geralmente se sobressai aparece branda e macia, bem como o jasmim. Eu diria, na verdade, que as grandes estrelas do Hypnotic Poison são as notas de fundo, “enfeitadas” pelas demais que compõe a saída e o coração. Elas temperam, amaciam, dão uma certa leveza, mas não tem como fugir da doçura penetrante da baunilha e da amêndoa. Se você já sentiu o cheiro do cominho, se já teve a oportunidade e curiosidade de esmagar tais sementinhas entre os dedos, vai reconhecer o aroma dele também. Ele dá uma boa dose de exotismo e profundidade no perfume.

As notas amadeiradas do sândalo e do jacarandá (o chamado Brazilian Rosewood) aparecem quentes, como madeira recém cortada aquecida pelo sol. Já sentiu isso? Moro perto de um parque aqui em SP, e nele tem um bosque de eucaliptos. Quando eles são cortados por algum motivo, ficam espalhados pelo parque em grandes “rodelas”. E quando são atingidos pelo sol, desprendem um aroma doce, pungente e penetrante, que não parece o das folhas do eucalipto. É resinoso, adoçado, medicinal. E delicioso… Devaneios a parte, é isso que sinto das madeiras do Hypnotic Poison, elas são aquecidas pelo sol…

Hypnotic Poison é noturno, é sensual, é vamp. É para mulheres que querem seduzir e – porque não dizer – hipnotizar!

Entre os dias 17 e 21 estarei impossibilitada de postar aqui no blog, mas dia 22 já estarei de volta com novidades! Agradeço a compreensão!

Habit Rouge, Guerlain

ImagemTire-me o sono, Guerlain! Como você consegue fazer perfumes com tamanha maestria heim? Como, como?

Habit Rouge foi criado por Jean-Paul Guerlain em 1965, e reformulado em 2003. Pela classificação, é masculino. Acho perfeitamente compartilhável e quero um. Ganhei 3 amostras generosas do amigo Denis do blog 1nariz, no dia em que nos encontramos para uma adorável conversa perfumística. Neste dia ele me apresentou Jicky, Cuir de Russie e me deu esses flaconetes do Habit Rouge. Embevecida com os dois anteriores, deixei o Habit para lá, até que esses dias resolvi prová-lo, e claro, imediatamente me apaixonei…

Habit Rouge é Guerlain. A cara da Guerlain. A Guerlain antiga e suntuosa, com todo o poder do guerlinade e a ousadia das notas herbais e com um toque animálico, aqui representado pelo couro. Enfim, ele é maravilhoso!

Abre com a nota herbal e adocicada do manjericão e uma profusão de cítricos, logo em seguida se mostra amadeirado e especiado, com notas florais nada esmaecidas. São poderosas, sem serem agressivas. São encantadoras… O sândalo e o patchouli dão uma leve “ardência” ao perfume, porém nada incômodo, tudo aparece com muita classe e elegância! As notas abaunilhadas, resinosas e de leve sugestão medicinal do fundo se confundem com o couro e com a profundidade do musgo de carvalho em uma dança, quase ritualísitica! Daí elas se confundem, se fundem, se tornam uma coisa só. O resultado é magnífico! Passo a não mais distinguir as notas que o compõe e me resigno apenas e admirar e me inebriar com sua beleza!

Habit Rouge é animal selvagem no cio, correndo incansável em campos férteis e plenos de flora. 

Mesmo depois de muitas horas na pele, Habit Rouge mantém o toque aveludado e o atalcado mais delicioso do mundo. Atrevo-me a dizer que foi o “guerlinade” mais bem orquestrado que já senti…

Notas de saída: laranja, manjericão, bergamota, jacarandá, limão, lima, tangerina.

Notas de coração: cravo, sândalo, patchouli, canela, jasmim, cedro, rosa.

Notas de fundo: ládano, couro, âmbar, bezoim, musgo-de-carvalho, baunilha.

Habit Rouge, Jicky e Shalimar terão sempre um lugar especial nas prateleiras do meu coração! E quanto mais da Guerlain antiga, vamos dizer assim, eu conheço mais embriagada e apaixonada fico! 

Pomander (pomme d’ambre)

Pomander: do francês pomme d’ambre (maçã de âmbar) é um recipiente geralmente arredondado e de superfície perfurada feito para conter substâncias aromáticas, como âmbar (daí o nome), almíscar ou ervas aromáticas. O pomander foi usado como uma proteção contra a infecção em tempos de peste ou simplesmente como um artigo útil para modificar os maus cheiros corporais e ambientais. Os pomanders “pessoais”podiam ser pendurados em uma corrente ou fita e levados junto ao corpo, ou presos a uma cinta e usados por cima da vestimenta. Eram geralmente perfurados e feitos de ouro ou de prata. Por vezes eles continham várias partições (de 4 a 8), em cada um dos quais foi colocado um perfume ou material aromático diferente.

O pomander pode ser considerado uma forma primitiva de aromaterapia.

Foram mencionadas pela primeira vez na literatura em meados do século 13 (recomendo site que mostra imagens de um exemplar do século 14: http://www.kornbluthphoto.com/ThirteenthFifteenth6.html). Eles foram usados ​​no final da Idade Média até o século 17, inclusive na época da Grande Peste Negra, que dizimou aproximadamente 1/3 da população européia. Algumas fontes literárias citam que os primeiros usos dos pomanders eram de finalidade religiosa, para perfumação e purificação do ambiente eclesiástico.

File:Rosary with pomander.jpg

Na corte dos séculos 15, 16 e 17, nobres costumavam usar cintos com diverso pomanders. Claro! O banho era coisa rara e as doenças eram bem comuns. Era preciso espantar as pestilências e espantar os maus odores…

O Jornal de Arqueologia, (volume 31, 1874, página 339) descreve uma fórmula para fazer um pomander  que também foi escrito e publicado por Frederic Madden: os ingredientes eram os seguintes: estoraque, calamite, labdanum, benjoim. Estes itens acima deveriam ser moídos até virar pó. Em seguida dissolvidos em água de rosas e colocados em uma panela de cozedura. A mistura, ao ser removida do fogo devia ser “enrolada” na uma forma de uma maçã e pulverizada com uma mistura de canela doce e cravo. Algumas outras “receitas” ainda levavam ingredientes derivados de animais, como almíscar ou algália.

Até Nostradamus escreveu certa vez uma “receita” de matéria para uso em pomanders! Seu método para fazer “bolas aromáticas”: reunindo um quilo de rosas sem as cabeças de flores, e sete onças de benjoim chão. Deve-se colocar as rosas em imersão na água almiscareira por uma noite. Em seguida, retirar as rosas e espremer completamente a água. Em seguida, triturá-los com o benjoim. Durante a moagem, colocar um quarto de âmbar cinzento e outro de algália ou almíscar. Depois da moagem, moldar “comprimidos” e colocar cada um entre duas pétalas de rosa. Então você secar os comprimidos longe do sol.

…………

Quem assistiu ao clássico filme “O Bebê de Rosemary” de Roman Polanski deve-se lembrar do colar que Rosemary ganhou da sua velhaca vizinha recheado de raiz de tannis (suposta planta relacionada ao culto satânico)! Eis um pomander de uso pessoal!

É fria, Rosie, taca fogo!

Já li algo sobre terços feitos de material aromático, tais como as pastilhas de Nostradamus…

Eu tive a sorte de ganhar do meu marido a releitura que a L’Occitane fez dos pomanders utilizados em residências elegantes (leia: ricas)e igrejas nos séculos 16 e 17, que tinham de 4 a 8 compartimentos para abrigar os mais diversos materiais aromáticos (os mais comuns eram: agarwood, âmbar cinzento, bálsamo, benjoim, cálamo, cânfora, canela, civeta, cravo, goma arábica, tragacanto, labdanum, lavanda, manjerona, almíscar, noz-moscada, clava, raiz orris, óleo de rosa, alecrim, styrax).

Imagem

Imagem

Dentro do meu amado pomander tem daqueles incensos de barrinhas, uma vez que ainda não consegui nada mais digno dele, mas estou tentando…

Atualmente utiliza-se como pomanders os sachets com essências naturais ou artificiais ou até mesmo frutas com especiarias, como é o caso das conhecidas laranjas enfeitadas com cravos da índia, utilizadas para repelir insetos e perfumar mesas em datas festivas. Existem também pomanders feitos de tecido aromatizado ou flores que são muito comuns em festas ao ar livre. Mas nem se comparam aos antigos não é?

  

Fontes:

http://www.larsdatter.com/pomanders.htm

http://www.kornbluthphoto.com/ThirteenthFifteenth6.html

http://en.wikipedia.org/wiki/Pomander

Indicação de Bibliografia:

Perfume and Pomanders: Scent and Scent Bottles Through the Ages, E. Launert (comprei em um sebo aqui do centro de SP, em prefeitas condições).

Imagem

Imagem

Rouge Royal, Princesse Marina de Bourbon

ImagemVamos ao que interessa: Rouge Royal tem o frasco bonito, como é comum aos perfumes da grife Marina de Bourbon e tem o preço bem acessível em comparação aos demais “importados”. E é gostosinho, mas não é um grande perfume, longe disso.

Foi lançado em 2002 e tinha como ideal: “Como um hino ao amor, este novo perfume criado pela Princesa Marina de Bourbon age como um elixir contra a futilidade dos tempos modernos. Cor da provocação, mas com refinamento, da riqueza que embeleza nossas rainhas, e das festas de senso nobre, esta cor nos revela mais intimamente naquelas noites onde as mulheres voltam a ser símbolo de uma feminilidade perdida e onde se misturam a sensualidade, desejo e paixão. Deste modo, revelada, a mulher “Rouge Royal”, animada por uma força ancestral, se lança à conquista do mundo, atuante, sedutora, perturbadora e inevitável.” 

O texto em itálico eu não escrevi não, copiei de um site de uma perfumaria virtual. E digo: sinto muito Marina, mas não deu…

Logo no início, Rouge Royal tem cheiro de batom de criança. Desse aqui ó:

O aroma de morango sintético persiste por muito empo ainda, misturado a um limãozinho bem azedinho. As notas florais são tênues, o jasmim e o ylang-ylang “adoçam” um pouco o azedume frutal. Quanto ao musgo-de-carvalho e ao opoponax do fundo – desculpa – mas eles estavam aqui? Ah tá, deve ser aquela breve nota incensada que fica no finalzinho, depois que todos os aromas sintéticos vão embora…

Notas de saída: morango, cassis, limão.

Notas de coração: jasmim, ylang-ylang, lírio-do-vale.

Notas de fundo: musgo-de-carvalho, opoponax.

Mas enfim, Rouge Royal agrada as mais jovens e as que gostam de cheiro de morango. Fás de hidratante de morango daquela famosa marca que eu acho brega deverão gostar. Eu as vezes gosto dele, quando quero me sentir a Moranguinho…

Chanel N°5 – Nicole Kidman

Como já disse antes, fui inspirada pela recente leitura do livro “O Segredo do Chanel N°5 – A história íntima do perfume mais famoso do mundo”, de Tilar J. Mazzeo, postarei uma série de vídeos publicitários de tal mítico perfume, com suas mais famosas garotas propaganda.
A musa da vez é a atriz Nicole Kidman, que nesta campanha contracena com o brasileiro Rodrigo Santoro.
Impressão minha ou na época de tal propaganda, em 2004, Nicole ainda não sofria os efeitos do excesso do botox?
Mais informações sobre tal “filme” aqui: http://en.wikipedia.org/wiki/No._5_the_Film

Chloe Love, Chloe

Mas que amor de perfume! Floral, docinho, atalcado, róseo, gracioso, de moça romântica, mas nada boba, daquelas que devagarzinho, sabem seduzir… Não espere um perfume de bailarina

Love (vamos chamar assim?) foi lançado em 2010 e criado por Louise Turner e Nathalie Garcia-Cetto. A modelo da campanha publicitária foi a brasileira Raquel Zimmermann. Não acho que a roupa e postura da modelo esteja de acordo com o perfume, mas enfim…

Love é marca presença de foram discreta e delicada, sem alarde. Ele não é a atração principal, e sim o complemento de um mulher que por si só já é atraente e encantadora. Primeiro nota-se ela, depois o perfume.

Em mim a fixação foi pouca, mas em outras pessoas que conheço foi de horas e horas a fio. A culpa não é do Love, então, é minha. Não vou condená-lo.

Notas de saída: flor-de-laranjeira Africana, pimenta rosa.

Notas de coração: íris, jacinto, heliotrópio, lilás, glicínia.

Notas de fundo: almíscar, arroz, notas atalcadas.

A flor-de-laranjeira é evidente no início, mas logo dissipa e deixa o buquê floral dar seu show. Sinto com força a íris e o jacinto adoçadas pelo heliotrópio. Do fundo sinto uma breve semelhança com o Kenzo Amour Florale. 

Queria conhecer melhor essa nota de arroz. Será que tem cheiro de pó-de arroz? Deve ser. Love tem lá seu cheiro de talco ou pó-de-arroz lá no finalzinho, aquela coisa bem “boudoir” e feminina.  

Love é simples, sem grandes pretensões, e é isso que o torna bonito. É um dos “rosinhas” atuais que escapam de ser sem graça e bobinhos, pueris. Tem lá seu “veneno”, tem lá seu calor. Está longe de ser paixão, mas é bem agradável! 

Azzaro 9, Azzaro

Imagem

Então, as vezes eu tenho sorte! Consegui essa raridade em uma loja física daqui de SP, da região da 25 de março. É um tester, e aposto que está vencido fazem mil anos, mas o importante é que está com o cheiro perfeito, sem alterações (oxidação, rancidificação ou demais processos químicos que detestamos).

E como fiquei feliz! Tinha lido sobre ele em uma das revistas daquela coleção “O Fascinante Mundo do Perfumes” e a curiosidade era grande…

Azzaro 9 é floral. Floral até a alma! Flores em profusão, com leve toque aldeídico e frutal, que o deixam com aquela característica das décadas de 80 que ou você adora ou odeia: a opulência! 

Foi apresentado em 1984 e está descontinuado, obviamente…

Notas de saída: aldeídos, abacaxi, mandarina, bergamota.

Notas de coração: mimosa, tulipa, cravo (flor), tuberosa, lírio, jasmim, glicínia (linda flor de nome feio: Wisteria floribunda), ylang-ylang, lírio-do-vale, rosa, flor-de-laranjeira, Genista tinctoria (juro que tentei achar a tradução para o nome popular da planta em português, mas não encontrei, se alguém souber,por favor, me conte).

Notas de fundo: sândalo, almíscar, musgo-de-carvalho, baunilha, incenso, cedro.

O que sinto em Azzaro 9 é um imenso buquê floral, com destaque para a tuberosa, a tímida porém presente flor-de-laranjeira, o jasmim e os lírios. Flores brancas e amarelas!!! 

Das notas de fundo sinto a presença do sândalo, do cedro e do inconfundível musgo-de-carvalho, que dá um “corpo” incrível ao perfume, bem com grande fixação e um breve toque fougère, de sugestão masculina e fresca. 

Azzaro 9 agradará (ou agradaria, visto sua descontinuação) aos fãs de florais opulentos, porém não tão densos da década de 80. Acho também que muitos o considerariam “datado” e demodê, mas como eu sou fã de perfumões Azzaro 9 ganhou minha admiração.

O frasco é lindo, faz lembrar um leque! 

Ainda existem exemplares disponíveis no Ebay, e se você for fã da perfumaria oitentista, dê uma olhadinha…

 

A História do Sabão e da Higiene Corporal, por Leopoldo Costa

Encontrei tal texto muito interessante no blog do Leopoldo Costa (segue o link: http://stravaganzastravaganza.blogspot.com.br/2011/03/historia-do-sabao-e-da-higiene-corporal.html). Entrei em contato com o mesmo através de email e ele gentilmente autorizou a reprodução de seu texto aqui no blog! Acredito que ele venha complementar e série anterior “A História do Banho”, que apresentei em 3 partes aqui no blog! Vamos la?

A História do Sabão e da Higiene Corporal
 
Por Leopoldo Costa
  
Na Antiguidade
 

Foi encontrado numa escavação na Babilônia, um cilindro de argila datado de 2800 a.C, que trazia a descrição de um produto elaborado com gordura animal fervida com cinzas que se transformava numa pasta que era usada como creme para pentear os cabelos. Não existe nenhuma referência da utilização desta pasta para fins de limpeza.
No Egito, um papiro datado de 1500 a.C, que fazia parte de um tratado médico, existe a descrição de um produto combinando gordura animal e óleos vegetais com sais alcalinos, formando uma pasta usada para tratamento de problemas de pele e para banhos medicinais.
Cleópatra (70-30 aC.), famosa pelos seus banhos, não conhecia o sabão. Nas suas abluções, usava óleos essenciais, leite de égua e areia finíssima como agente abrasivo de limpeza.
Nos livros da Bíblia, está registrado que os israelitas usavam uma mistura de cinza de madeira e óleos vegetais como agente de limpeza. Moisés, por exemplo, exigia que todos tivessem uma boa higiene pessoal e se mantivessem limpos de corpo e alma.
Em Roma, Plínio, o Velho (23/24-79) na sua ‘História Natural’, menciona a preparação do sabão a partir do cozimento do sebo de carneiro com cinzas de madeira. Pela sua descrição o procedimento exigia o contínuo cozimento da pasta até obter um produto mais sólido. Ele menciona que os Fenícios já conheciam essa técnica desde 600 a.C. e também relata que mais tarde, que os Romanos importavam da Gália um sabão fabricado de sebo, cinzas e cal.
O médico grego Galeno (130-200), que clinicou em Roma, receitava uma pasta preparada com cinzas e gorduras para a remoção da sujeira pessoal e dos tecidos mortos da pele. O mesmo fazia o alquimista árabe Geber (Jabin Ibn Hayyan) num manuscrito do século VIII.
Na Grécia, a higiene corporal era feita com pedaços secos de argila, areia fina, pedra pome e cinzas, sendo depois, besuntados com óleo e raspados com uma lamina de metal chamada ‘strigil’ para arrastar todas a sujeira.
Os Romanos eram cuidadosos com a higiene pessoal e tomavam banho regularmente. Usavam os mesmos produtos e o mesmo sistema dos Gregos e depois, eram massageados com azeite de oliva perfumado com bálsamo e ervas. Em Roma certamente o sabão era usado para outros tipos de limpeza doméstica, pois foi encontrado nas ruínas de Pompéia uma fábrica de sabão em barras.
Em 312 a.C. foi construída em Roma a primeira terma para banho público que era alimentada com a água trazida através dos famosos aquedutos de pedra que sobrevivem até hoje. Só que os banhos públicos em pouco tempo tornaram-se, além de uma local de prática de higiene corporal, um ambiente de luxúria e libertinagem.

Na Idade Média 

Depois, da queda do Império Romano até a Idade Média, o habito de tomar banho foi esquecido.
Na Idade Média, o banho, era considerado prejudicial a saúde. As pessoas geralmente tomavam apenas dois ou três banhos durante o ano, costumeiramente nos meses da Primavera e Verão. A razão da escolha do mês de Maio como o mês dos casamentos,era por que como as noivas tomavam durante o mês um dos banhos anuais, o odor das partes intimas não era tão forte. Também o hábito do uso do bouquê de flores pela noiva tinha a finalidade de mascarar os odores corporais.
Todos da família tomavam o banho na mesma tina, na mesma água. A prioridade era do chefe da família, seguido pela esposa e sucessivamente pelos filhos pela ordem de idade. Os últimos eram os bebês, quando a água já estava bem suja.
O cheiro dos corpos impregnava os ambientes, mas as pessoas estavam acostumados com isto e parecia normal. As roupas das pessoas e de cama eram lavadas também somente duas ou três vezes ao ano, por que eram poucas e o sabão custava muito caro. As casas e os moradores viviam infestadas de pulgas, piolhos e percevejos. Nas áreas urbanas, as pessoas usavam o penico para fazer as necessidades fisiológicas e estes como a água usada no banho, eram atirados pela janela. O lixo era também jogado pela janela e acumulava perto das casas. Para piorar, os porcos que durante o dia vagavam pelas ruas, se serviam destes dejetos. Devido a tanta falta de higiene e também o costume de manterem vacas, porcos e ovelhas para passar a noite em cômodos contíguos à casa, os ratos e baratas proliferavam, causando doenças e pestes como a Peste Negra no século XIV.
No Império Bizantino a higiene foi revitalizada e voltaram os banhos a ficar na moda.

A Origem do Vocábulo ‘Sabão’ 

Diz uma lenda que a palavra sabão (‘sapo’ em latim) tem sua origem no monte Sapo, local onde eram efetuados sacrifícios de animais às divindades. Na época das chuvas os resíduos gordurosos dos animais sacrificados, junto com as cinzas, eram levados pelas águas até os pântanos da margem do rio Tibre. Quando as chuvas cessavam e com o calor do sol, a concentração de gordura e cinza era aumentada no pântano. As lavadeiras da região descobriram que a lama do pântano era um bom detergente para lavar as suas roupas.
Segundo outros etimologistas, a palavra ‘sabão’ deriva-se do germânico saiponque designava um produto pastoso, que era usado para limpeza corporal dos Germanos. Eles e os Gauleses conheciam também uma pasta de gordura e de cinzas que era usada para colorir o cabelo de vermelho.
 
 
A Indústria do Sabão
 
 

No século XIII a técnica de fabricação de sabão foi introduzida na França e no século XIV na Inglaterra.
No século XIX a indústria de sabão foi desenvolvida em Marselha na França, surgindo concorrentes em Alicante na Espanha, Savona, Veneza e Gênova na Itália.
Uma história ingênua e apócrifa relata que em Savona, na Itália, ao deixar cair lixívia (de cinza) em óleo, uma mulher teria descoberto o sabão.
Nessa época o sabão era preparado na região mediterrânea com azeite de oliva e no norte da Europa e Inglaterra com sebo animal.
Em 1622 o rei Jaime I concedeu o monopólio da produção de sabão na Inglaterra a uma única empresa, recebendo para isso uma taxa anual equivalente a 100 mil dólares de hoje.
Em 1766 a Coroa portuguesa estatizou todas as saboarias do reino.
Em 1791 o químico francês Nicolas Leblanc (1742-1806) registrou a patente do método de produção da barrilha (carbonato de sódio) a partir da salmoura, permitindo grande oferta de um alcalino de baixo custo para a fabricação de sabão.
Michel Eugene Chevreul (1786-1889) descobriu a composição química das gorduras em experiências realizadas entre 1813 e 1823.
Em meados do século XIX o químico belga Ernest Solvay (1838-1922) criou o processo de obtenção da soda caustica a partir da amônia. Todos estes acontecimentos colaboraram com o desenvolvimento da indústria de sabão e o barateamento de custos.
No final do século XVIII o banho cotidiano voltou à moda, considerado como um benefício para a saúde, houve até um movimento médico denominado ‘cura pela água’.
Nos Estados Unidos inicialmente os colonos não produziam sabão e usavam o produto importado da Inglaterra. Logo foi iniciada a produção a nível doméstico.

Colgate 

Em 1806, William Colgate (1783-1957), filho de uma família de imigrantes ingleses, residentes no interior dos Estados Unidos, tinha 23 anos quando foi tentar a vida em Nova Iorque. Ganhou dinheiro e logo depois inaugurou a primeira fábrica de sabão nos Estados Unidos e em 1830 começou a comercializar o seu produto em todo o país, que era o sabão em tabletes de peso uniforme, diferente do usual na época, quando se cortava um pedaço de uma barra de quase meio metro de comprimento no balcão do estabelecimento e cobrado pelo peso.
Em 1872 lançou o sabonete perfumado para banho. Foi a origem de uma das maiores empresas dos Estados Unidos que diversificou as suas atividades passando a produzir também creme dental e produtos congêneres.
 
Lever e a Unilever
 

Em 1884 na cidade de Bolton na Inglaterra William Lever (1851-1925) e seus irmãos fundaram a empresa ‘Irmãos Lever’ com o propósito de comercializar sabão à peso, cortados na frente do freguês, como era o costume na época.
Estava visitando um estabelecimento comercial quando de repente chegou uma senhora e pediu uma libra ‘daquele sabão fedorento’ o que deixou William bastante preocupado pois era ele quem fornecia o produto para a loja. Então teve a idéia de melhorar a qualidade e perfumar de leve o sabão, dar-lhe uma marca e vendê-lo em tabletes com peso padrão e embalagem de bom gosto. Tinha criado o sabão ‘Sunlight’ e para produzi-lo com a sua fórmula e embalagem contratou uma fábrica de terceiros. Foi um grande sucesso de vendas na Inglaterra. Logo construiu uma fábrica própria e em apenas oito anos de mercado, começou a ser conhecido em toda a Europa e já era o sabão mais vendido no mundo.
Para garantir matéria prima em quantidade, qualidade e preço os ‘Irmãos Lever’ compraram fazendas na África Ocidental para produzir óleo de palma e uma frota de navios baleeiros para garantir o abastecimento de gordura animal (óleo de baleia).
Em 1894 lançaram o sabonete perfumado ‘Lifebuoy’(que existe até hoje) e em 1899 o sabão em flocos ‘Lux’. O faturamento da empresa cresceu geometricamente. Como havia excedente de óleos vegetais produzidos nas fazendas africanas decidiram também produzir margarina. Com o apoio logístico montado para a venda de sabão, ganharam com o novo produto uma boa fatia do mercado, vindo a preocupar a maior vendedora de margarina europeia que era a Unie, empresa formada pela família Jurgens e família Van den Bergh com sede na Holanda. Depois de muitas negociações decidiram juntar as forças e em 1930 as empresas se uniram o que deu origem a Unilever, (“Uni” de Unie e Lever) hoje uma das maiores empresas de produtos de consumo do mundo com ramificações em quase todos os países do Mundo, inclusive no Brasil.

O Sabão no Brasil

No Brasil, em 1860, já havia fábricas de sabão em algumas cidades. Produziam o sabão de barra que era conhecido como ‘sabão do reino’, pois inicialmente era importado de Portugal.
Nas fazendas de Minas Gerais, nos séculos XVIII e XIX, era fabricado um tipo de sabão preto usando os restos de gordura de porco e de boi e a ‘decoada ’, um liquido escuro (lixívia) que era obtido, passando água por um balaio cheio de cinza que ficava apoiado sobre pedras. O balaio com cinzas permanecia dias e dias gotejando a substancia, necessitando de ser reposto a água, até acumular o volume necessário para a quantidade de sebo disponível. Depois, num caldeirão grande a ‘decoada’ era misturada com o sebo e fervido até ganhar o ponto adequado. Faziam-se os sabões em formatos de bolas que tinham um bom poder detergente e era usado para lavar tudo, até para as pessoas tomarem banho. Eram embalados em palha de milho, sendo o único tipo de sabão que conheciam e podiam dispor. Como não era tão alcalino, se fosse deixado em lugares inadequados, os famintos cachorros das fazendas o devorava.
Sabões de toucador perfumados ou sabonetes eram coisas raras na época colonial. Importados da França e de preço elevado, inacessível para a maioria da população. Os ricos fazendeiros tinham sempre um sabonete francês guardado a sete chaves, para ser usado quando recebesse visitas importantes como a do padre ou de algum nobre da Corte.

A Glicerina

A glicerina é um subproduto da industrialização das gorduras para a produção de sabão. A palavra deriva-se do grego ‘gluceros’, que significa ‘doce’. Foi descoberta  por Carl Wilhelm Scheele (1742-1786) e foi Domier quem descreveu o método de recuperação da glicerina durante o processo de saponificação. A glicerina é usada na medicina, na indústria de alimentos e na fabricação de cosméticos sendo um excelente agente umectante.

 
Postado em 1 de Março de 2011 por Leopoldo Costa.
 

Obrigado Leopoldo, pela gentileza e generosidade!