Agent Provocateur Maitresse, Agent Provocateur

Imagem(Que engraçado, dá pra ver eu tirando a foto no reflexo do frasco…)

Não sei se é o desenho presente no frasco, com seu jogo de esconde-revela. Não sei se é o nome “maitresse“, que pode significar “professora” (do quê, fica a critério se sua imaginação…), ou “amante“. Não sei se é família olfativa floral aldeídica (família a qual pertence o lendário Chanel Nº5). O fato é que Agent Provocateur Maitresse é sensual e excitante. E o melhor, sem ser espalhafatoso. Nasceu assim, cresceu assim, vai ser sempre assim, tal qual Gabriela, sabe?
Para mim tal perfume poderia ser facilmente representado por duas obras de arte: “Mulher sentada com ramo de flores” (1927), de Ismael Nery:

Mulher Sentada com Ramo de Flores

e “Kneeling girl, on both elbows supported”, de Egon Schiele.

Kneeling girl, on both elbows supported - Egon Schiele - www.egon-schiele.net

 

As duas obras tem em comum tamanha carga erótica, tamanha volúpia e entrega, que dá ao observador a impressão de que ele será tomado e engolido pela voluptuosidade dessas mulheres. Seja você mulher ou homem, sem preconceitos, deixe a arte invadir seu imaginário e provocar sensações… 
Já ouvi algumas críticas ao frasco por lembrar um ovo, mas quer maior símbolo de fertilidade (consequentemente de sexualidade) do que um ovo, minha gente? Vamos analisar o simbolismo das coisas…  
Foi apresentado ao mundo em 2006 e foi criado por Azzi Glasser.
Notas de saída: pétalas de lótus, violeta, ylang-ylang.
Notas de coração: aldeídos, jasmim, rosa, osmanthus.
Notas de fundo: camurça branca, íris, patchouli, musk, âmbar.
As notas de tal perfume são tão bem entrelaçadas que para mim fica difícil distinguí-las de forma satisfatória. Indiscutivelmente estão ali as rosas e o jasmim (reforçados pelas moléculas dos aldeídos). A íris o torna profundo e a violeta “empoeira” de forma sutil. O fundo amabarado, almiscardo e com notas de couro macio e delicado o tornam aveludado, fetichista. 
Embora tenha boa projeção nas 3 primeiras horas de uso, é depois que a magia da fragrância se revela. É quando fica “a flor da pele” e nos deixa com o nariz grudado a pele, vicia e embriaga. Perfume para se tornar amante de si mesma. 

Se a marca queria uma arma de sedução altamente erótica (mas não vulgar ou pornográfica, que fique bem claro o distanciamento entre tais conceitos), conseguiu!

Fontes: http://www.egon-schiele.net/Kneeling-girl,-on-both-elbows-supported.html

http://www.acervodearte.com.br/acervo/ver_obra.php?acervo=876

Versense, Versace

Hoje procurei por um perfume que passasse um pouco de sensação de frescor, uma vez que está um calor infernal aqui em São Paulo. Infernal mesmo.

Decidi por uma miniatura do Versace Versense, que já tinha usado algumas vezes e resolvi usar novamente para ter uma opinião conclusiva sobre ele.

Foi criado em 2009 com a proposta utilizar ingredientes típicos do Mediterrâneo e criar uma irresistível experiência aos sentidos…
Bom, a poposta é boa. Segundo sites especializados, a pirâmide olfativa dele é rica, com um monte de notas interessantes. Eu só consigo sentir nele capim-limão, verbena, lima da pérsia, e sabe aquele doce que vende no interior, aquelas casquinhas de limão cristalizadas? Então, cheiro daquilo. E essas notas não constam na pirâmide olfativa oficial do perfume. Inventei uma nova. Ou o problema sou eu ou é o perfume.
Mas mesmo assim vamos as ditas notas:
Notas de saída: bergamota, mandarina, figo, notas cítricas, pera.
Notas de coração: jasmim, cardamomo, narciso, lírio.
Notas de fundo: sândalo, cedro, oliva (a árvore que produz a azeitona, que produz o azeite, essa mesma), musk.
Das notas florais, consigo sentir de leve o lírio e jasmim bem desmaiado, mas bem desmaiado mesmo, quase morto. Uma sombrinha de jasmim e só.
Das notas de fundo… bom adoraria saber como é o cheiro da oliveira, mas não sei, então não posso falar nada. Outro que aparece só para um “oi” rapidíssimo é o sândalo. O cedro vem mais parecido com um cipreste, mas também é sutil demais.
Enfim, a Versace conseguiu deixar o Mediterrâneo sem graça. Criou uma boa água de colônia, só isso. É uma pena, o frasco é lindo, de linhas clássicas e com um “quê” romano. Eu já esperava algo fresco, tal como pede o clima da região que homenageia, mas não tão sutil e fugaz.
A propaganda: preferi colocar uma foto da campanha publicitária do que da minha humilde miniatura e explico o porque. Não orna. Olha essa praia cinzenta, de areias cor de chumbo. Nem poente nem nascente, frequentada por Allan Poe e Álvares de Azevedo (adorei, vou ver se permitem que eu tome uns absintos com eles lá). E não é a coloração da foto que escolhi não, vi muitas antes de escolher, são todas assim. A modelo: meticulosamente despenteada, maquiada como uma egípcia (na praia) e com um maiô (ou seja lá o que for tal peça de roupa) cheia de apliques brilhantes. Em tal praia cinzenta… Em minha opinião, todos os elementos completamente fora do que seria para traduzir o espírito mediterrâneo do perfume.
Mas enfim, se você quer uma água de colônia de qualidade, cara e bem embalada, Versense é uma boa pedida.

A História do Banho – Parte II

3 – Idade Média –  A Proibição do Banho

A condenação do inferno, tão comum na Idade Média…

Durante a Idade Média, os ocidentais abandonaram os sofisticados rituais de limpeza da Antiguidade e mergulharam numa profunda sujeira. A maneira de ver o banho mudou. As idéias religiosas foram levadas ao exagero e as saunas passaram a ser consideradas locais de pecado, porque as pessoas se viam nuas umas às outras  e tudo poderia acontecer. Era um convite às tentações da carne…

Ui, podia acontecer…

Não é exagero afirmar que a Idade Média foi o período em que a cristandade varreu da Europa as termas e demais atividades em que as pessoas se expusessem demais. Com tantos pudores, o prazer de tomar banho de corpo inteiro passou a ser visto como um ato de luxúria. Lavar as mãos e o rosto bastava, às vezes nem isso. Quando muito, era aceitável tomar um só banho por ano.

Os banhos foram totalmente proibidos, aumentando as doenças, em especial a peste. Dizia-se que a água “amolecia” a alma. Dizia-se ainda, que o fato de a água quente dilatar os poros da pele facilitava a entrada de doenças no corpo. Desta forma, nesta época, a higiene basicamente resumia-se em vestir uma roupa limpa e usá-la até ficar suja, pois acreditava-se que a roupa funcionava como uma espécie de “esponja”, absorvendo a sujeira. Sendo que muitas vezes a roupa sequer era lavada, apenas sacudida.

Os banhos eram escassos, quase inexistentes. Em famílias pobres, quando eles aconteciam, a água servia para banhar a família inteira em uma tina. Primeiro os homens, depois os filhos e por último as mulheres.

A Idade Média foi muito apropriadamente chamada de Idade das Trevas, protagonizando o total sepultamento dos hábitos de higiene. A Igreja, poder político e cultural absoluto, abominava os banhos, tratando-os como “Orgias Pecaminosas”.

Iniciou-se um período de imundície com conseqüências desastrosas para a Europa. Segundo os sanitaristas, as constantes epidemias que assolaram o Velho Mundo durante a Idade Média foram provenientes da total ausência de higiene por parte da população. As necessidades fisiológicas eram “despejadas” pelas janelas!

Esta falta de asseio pessoal, aliada às condições de vida insalubres, contribuíram sobremaneira para as grandes epidemias da Idade Média e, em especial, para a Peste Negra do século XIV.

Com os grandes surtos epidêmicos instala-se a convicção de que a água, por efeito da pressão e sobretudo do calor, abria os poros e tornava o corpo receptivo à entrada de todos os males. A água seria o veículo transmissor das doenças… e devia ser mesmo, com tantos dejetos despejados em rios e córregos.

Desde o século XV, os médicos condenavam a utilização dos balneários públicos e das estufas. Defendiam a teoria que, “depois do banho, a carne e o hábito do corpo amolecem e os poros abrem-se, e assim, o vapor empestado pode entrar prontamente no corpo e provocar a morte súbita”.

A ideologia cristã instaurou preconceitos e impôs uma nova moral e conseqüentes novos costumes. A Igreja temia pela sujidade das almas, pois os hábitos promíscuos eram uma porta aberta para o pecado. Havia assim, que se evitar os banhos públicos, locais “propícios à devassidão e ao amolecimento dos costumes”.

Mas há controvérsias, recomendo a leitura do artigo: http://www.ohistoriante.com.br/higiene-medievo.htm

4- Renascimento – Dos Maus Odores ao Banho de Civilização

No século XIII, frades dominicanos iniciaram as atividades farmacêuticas relativas à produção de essências, pomadas, bálsamos e outras preparações medicinais. Muitas dessas fórmulas, produzidas até os dias de hoje, foram estudadas durante a corte de Catarina de Médici, nobre florentina que se mudou para a França em 1533, para se casar com o Rei Henrique II.

Os perfumes de Catarina de Médici eram feitos em Grasse, uma pequena cidade ao sul da França, localizada aos pés dos Alpes mediterrâneos. Grasse era então um centro da indústria de couro e perfumação do mesmo, especialmente o das delicadas luvas das senhoras.

Aos poucos, a era das águas perfumadas, as famosas águas de colônia, foram cedendo espaço para a composições à base de almíscar. A preocupação com a higiene e os cuidados com o corpo permanecia. Também se considerava importante o cultivo de jardins, capazes de repelir os odores pestilentos comuns na época.

Diz-se que Luis XIV, o “Rei Sol”, era muito sensível a odores, e tinha um perfume para cada dia da semana. Em sua corte, rosas e flores de laranjeira eram usadas para perfumar luvas, e os sabonetes de óleo de oliva faziam parte da higiene diária. As fragrâncias apreciadas por Luís XIV eram produzidas no sul da França.

No Renascimento, a idéia de manter o corpo limpo foi abandonada e os “banhos de água” foram substituídos por “banhos com fortes perfumes e essências”, sendo Catarina de Médici a grande responsável pela difusão do perfume na França.

A fomentação da expansão marítima conduz os europeus ao descobrimento de novas terras, denominadas de ‘Novo Mundo’ e a realidade da Europa (o ‘Velho Mundo’) mostrava-se paradoxal aos costumes demonstrados pelos habitantes dos territórios localizados na atual América do Sul.

A chegada dos brancos impressionou aos índios, devido à aparência suja e grotesca dos europeus, chamados de “mal cheirosos e porcos”.

Observando os hábitos dos indígenas, nativos das terras recém-descobertas, os europeus aprenderam diversos conhecimentos sobre limpeza e higiene, pois era comum e que os nativos se banhassem em rios, lagos, lagoas e cachoeiras. De modo que os indígenas em muito contribuíram para o progresso nos costumes dos europeus, promovendo um verdadeiro banho de civilização.

5- Corte de França – Banho de Cheiro Disfarçando a Sujeira

A fundação da primeira boutique de perfumes em Paris impulsionou a produção e a comercialização de produtos aromáticos. A opulência, o esplendor, a extravagância e o refinamento surgiam nas famílias aristocratas e dominavam a corte européia.

A moda dos banhos estimulou a difusão dos perfumes por toda a Europa. A “Corte Perfumada”, fiel ao estilo Rococó, bem como toda a nobreza francesa, habitualmente se utilizavam de bálsamos e perfumes – nas roupas, nos corpos e nos cabelos – para disfarçar a sujeira e amenizar o mau cheiro.

“Por fora bela viola, por dentro, pão bolorento…”

Outras fontes: http://stravaganzastravaganza.blogspot.com.br/2011/03/historia-do-sabao-e-da-higiene-corporal.html

http://gehspace.com/arte26a30.htm

A História do Banho – Parte I

Não gosto de Carnaval. Mas, nas minhas buscas por artigos sobre perfumaria e afins na internet, me deparei com isso:  O banho foi enredo do Carnaval da Escola de Samba Beija-Flor de Nilópolis no ano de 2009. É de lá que tiramos as informações do texto a seguir:

http://www.beija-flor.com.br/2012/por/17-outroscarnavais/carnaval2009/enredo.html

1 – Egito – Origem do Banho

Os primeiros registros do ato de se banhar individualmente ocorreram por volta de 3.000 a.C., e pertencem ao antigo Egito. Os egípcios realizavam rituais sagrados na água e banhavam-se diariamente, dedicando os banhos a divindades como Thot e Bes.

Thot era o Deus do conhecimento, da sabedoria, da escrita e da medicina, considerado a melhor divindade para cuidar das pessoas que se banhavam. Depois dele, vinha Bes, o Deus da fertilidade e do casamento, que cuidava do parto e do banho das crianças e mulheres.

Mais do que limpar o corpo, os egípcios presumiam que a água purificava a alma, e esta crença era válida tanto para a realeza – cortejada com óleos aromáticos e massagens aplicadas pelos escravos, quanto para as populações mais pobres, que recorriam inclusive a profissionais de rua quando não conseguiam tratar da própria beleza. Os egípcios foram os inventores dos primeiros cosméticos.

2- Termas – Luxúria Líquida

Babilônia, Turcos, Gregos, Romanos

A Grécia foi um dos locais em que o banho prosperou, sendo possível encontrar bem preservados palácios de 1700 a.C. a 1200 a.C. que, mesmo nos dias atuais, surpreendem devido a avançadas técnicas de distribuição da água.

Apollon and the Nymphs, 1666-73, Apollo Grotto, Versailles

Na Grécia, o banho também era uma extensão necessária da prática de ginástica, e comumente os gregos antigos invocavam a proteção de Hera, a mulher de Zeus (também conhecida como Deusa Juno), durante o banho.

Os gregos tomavam banhos por prazer e para ter uma vida saudável, motivados pela higiene, espiritualidade e práticas desportivas, sendo que os médicos da época louvavam as virtudes ocasionadas em função dos diferentes tipos de banho, aconselhando o uso de óleos na água para untar o corpo antes de as pessoas se secarem.

Embora os gregos tenham iniciado a prática dos banhos públicos no Ocidente, os pioneiros nos balneários coletivos foram os babilônios.

Materiais saponificantes anteriores a 2.800 a.C. foram encontrados em cilindros escavados nas ruínas da antiga Babilônia. As inscrições indicam que aquele material era utilizado para a limpeza dos cabelos e para auxiliar na confecção de penteados.

Por volta de 650 a.C a cidade da Babilônia, na Mesopotâmia, tornou-se o centro comercial de especiarias e perfumes da época.

Já no século II a.C., os romanos construíram enormes complexos de banho para homens, sendo que os romanos foram o povo da Antiguidade que mais se importaram em transformar o banho num evento, construindo suntuosas termas públicas onde seus cidadãos podiam desfrutar dos prazeres proporcionados pelo banho. O banho referia-se à idéia de repouso e de convívio, pois era uma prática social e um ritual simbólico.

Os romanos herdaram muito da cultura grega, incluindo a adoração pelo banho. Porém, entre eles, esse hábito adquiriu proporções inéditas. As visitas diárias às termas tinham fundo religioso, visto que o banho público era um ato de adoração à deusa Minerva.

Os romanos consideravam Minerva, a deusa do comércio, da educação e do vigor, especialmente bem dotada para cuidar do banho. Fortuna, a deusa do destino, também era representada nas casas de banho, para proteger as pessoas quando estavam mais vulneráveis. Além disso, havia incontáveis ninfas e espíritos associados a fontes e poços locais, venerados como guardiões do banho.

E o costume não era restrito somente às classes mais abastadas: boêmios, prostitutas, imperadores, filósofos, políticos, velhos e crianças, todos se banhavam no mesmo espaço, sem constrangimento.

Os gregos e os romanos mantiveram o hábito de reunir-se em “banhos públicos”, que eram verdadeiros locais de discussões e decisões políticas e sociais. As termas eram um ponto de encontro e de troca de informações e que se tornaram símbolos de luxo.

Os romanos e os gregos – precursores de sistemas hidráulicos que canalizavam águas pluviais e fluviais, conduzindo-as para as residências e termas – fizeram do banho um ritual de luxo e influenciaram o mundo com suas criações de óleos, ungüentos e maneiras prazerosas de banhar-se.

O rito do banho romano podia ser descrito da seguinte forma, segundo informações de outa fonte (http://algarvivo.com/arqueo/romano/termas-romanas.html):

O banhista devia começar por untar o corpo com óleos e praticar alguns exercícios de ginástica, desporto ou luta livre.

Entrava depois numa sala muito aquecida, o sudatorium, onde transpirava abundantemente.

Passava então ao caldarium, sala aquecida, onde podia lavar-se e retirar os restos de óleo.

Depois de uma curta passagem pelo tepidarium, mergulhava na piscina do frigidarium, cuja água fria lhe revigorava o corpo, sendo em seguida massajado e untado de óleos aromáticos.

Em geral, as manhãs eram reservadas às mulheres e as tardes aos homens.

As mais antigas termas romanas de que há conhecimento datam do século V a.C. em Delos e Olímpia, embora as mais conhecidas sejam as de Caracala.

Normalmente, as termas romanas eram constituídas por diversas salas:

apodyterium – vestiário

tepidarium – banhos tépidos

praefurnium – local das fornalhas que aqueciam a água e o ar.

caldarium – banhos de água quente

palaestra frigidarium – banhos de água fria

sudatorium – uma espécie de sauna.

O apodyterium era a entrada principal, constituída por um quarto comprido ou largo, dotado de compartimentos ou estantes, nos quais os cidadãos guardavam suas roupas e pertences, enquanto tomavam seu banho.

Escravos particulares, ou funcionários das termas (capsarius), cuidavam dos pertences, enquanto os cidadãos desfrutavam dos prazeres do banho.

Um manual escolar romano ensinava ao jovem aprendiz da nobreza que, ao entrar nos banhos, deixando para trás seu escravo no apodyterium, a lembrar-se de dizer-lhe: “Não durmas, por causa dos ladrões”.

Os homens livres ricos e suas mulheres traziam habitualmente vários escravos até o apodyterium, como forma de exibir suas posições sociais. Estes escravos levavam toda uma parafernália de banho: acessórios e artigos de vestuário para banho, sandálias, toalhas de linho, e ainda óleos para unção, perfumes, esponjas, e strigilis – instrumentos de metal recurvados para raspar o excesso de óleo, suor e sujeira dos corpos.

Voltando as informações da Beija-Flor….

Os árabes não só compreendiam e apreciavam os prazeres dos perfumes, mas também possuíam conhecimentos avançados de higiene e medicina. Muito celebrados por suas maravilhosas descobertas, eles ofereceram à humanidade o primeiro alambique, e a partir desta invenção foi possível destilar as matérias-primas e preparar a primeira água de rosas do mundo, isolando o perfume de pétalas em forma de óleo.

Associar os famosos banhos turcos a rituais amorosos é uma das primeiras reações dos ocidentais ao imaginar as sofisticadas casas dos muçulmanos. O hamman, a cerimônia islâmica do banho, estimulava a imaginação dos europeus, ao descrever dezenas de belas mulheres se banhando e se embelezando em um ambiente ricamente ornamentado.

Mas o hamman supera essa carga erótica. É um preceito da fé islâmica lavar e perfumar o corpo para a oração. E os banhos em conjunto, demorados, são a melhor maneira de se purificar para a prece. O hamman serve, então, como meditação entre os pecados do corpo e a limpeza do espírito.

Na Europa, somente no século XVII houve a introdução das casas de saunas e banhos turcos.

Em breve a parte II…

Outras fontes: http://www.arquitetonico.ufsc.br/vamos-tomar-banho

http://www.wga.hu/frames-e.html?/html/g/girardon/index.html

http://www.livingdesign.net.br/2011/11/%E2%80%9Ckitchen-bath%E2%80%9D-%E2%80%93-a-historia-do-banheiro.html

Avon – Christian Lacroix, Nuit

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Eis uma grata surpresa que a Avon em parceria a Christian Lacroix proporcionou! Nuit foi apresentado no outono de 2011, depois das edições Rouge e Absynthe.
A embalagem roxa, pelo simples fato de ser roxa, já ganhou pontinhos comigo. Dizem que muitas vezes a gente consome com os olhos né? Quem nunca comprou um perfume pela embalagem?
O frasco-gota mantém a bonita tonalidade purpúrea, adornada por uma filigrana que dá margem a muitas interpretações, tais como uma das pranchas do teste de Rorschach (sim, sou psicóloga formada!). Seria uma borboleta? Uma orquídea? Folhas de samambaia? Tentáculos? Tudo isso e muito mais, Nuit pode ser o que você quiser, tudo depende do modo como for usado.
Se for usado com boa dose de parcimônia, pode ser diurno, floral com toque amadeirado, lembrando vinho branco licoroso. Tem cheiro de uvas maduras!
Se usado com ousadia, com generosidade, se torna noturno, incensado, com flores melífluas e licorosas. E essa dupla jasmim-narciso quase hipnótica? Tão bem combinada! E me parece a variedade jasmim-manga, conhecido como plumeria.
Notas de saída: neróli, bergamota, néctar floral.
Notas de coração: jasmim, narciso, tuberosa.
Notas de fundo: notas amadeiradas, musk, âmbar, incenso.
Sinceramente? Achei Christian Lacroix Nuit incrível. Todo na medida. Sem excessos (nem faltas) em nenhum momento, bem dosado. De excelente sillage e fixação, embalagem bonita, preço mais do que acessível!
Para quem gosta do gênero oriental-floral-incensado-amadeirado (sim, tudo isso), taí um bom perfume com preço camarada!

Comercial do perfume Damosel, Atkinsons

“Recém-casados, eles estão recordando todos os momentos perfumados com Damosel. E você também, minha amiga… quando estiver saindo da igreja no dia feliz do seu casamento… recordará com carinho todos os instantes do seu romance”.

“Damosel, o perfume que dá felicidade, é composto das mais deliciosas essências dos cinco continentes”.

“Damosel é um convite para o sonho. O perfume de Damosel foi inspirado no culto do amor, encantamento e felicidade. Comece a viver hoje mesmo o seu sonho perfumado com Damosel, de Atkinsons”.

Só consegui a informação que tal perfume data da década de 50, quando as moças eram educadas para serem “do lar” e suportar muitos desaforos dos maridos, senhores da verdade e responsáveis por todo sustento da casa. Mas nada de discussões sociais ou de cunho feministas, vamos focar no perfume. Alguém já ouviu falar no Damosel? Vamos perguntar para nossas mães?

Crystal Noir, Versace

Infelizmente, deste precioso só tenho amostrinhas. Mas já são mais do que suficientes para me certificar de que Crystal Noir “faz meu tipo” de perfume! Quente e especiado! A surpresa é que ele tem uma réstia de luminosidade floral, uma nuance que não chega a ser fresca, mas está quase lá…

Foi criado em 2004 por Antonie Lie. Seu frasco é um tanto quanto exagerado, acho que a tampa-pedra-preciosa-de-plástico podia ser um pouco menor. Daria mais impressão de mistério, raridade e preciosidade do que essa “cabeçorra”. Pior é que quanto menos ml tem o virdo, maior é a bolota. Bom, mas exageros são comuns a Donatella Versace, então…

Crystal Noir é sensual. É noturno, é convidativo! Tem uma “luminosidade escura”, dá pra entender? É luz de velas, é candelabro. Nada de luz elétrica.

Notas de saída: gengibre, noz-moscada, grãos-de-pimenta.

Notas de coração:flor-de-laranjeira africana, gardênia, peônia, coco.

Notas de fundo: musk, sândalo, âmbar.

Essas tríade da saída me mata! Que delícia inebriante para os sentidos! Doces, picantes, envolventes! Acredito que a luminosidade toda do Crystal Noir venha das notas de flor-de-laranjeira e da gardênia. Não vou mentir, não distingui a peônia. Acho que ela é uma nota muito delicada em meio a outras tão “aparecidas”. O coco vem bem misturado às demais notas, sem nenhuma proposta tropical-pinã-colada-malibu, então não chega a me desagradar, uma vez que não gosto de tal nota. O sândalo é bem evidente, doce, pungente, bem como o fundo almiscarado.

O único defeito dele para mim é a tampa cabeção. Tinha que ser menor.

 

Vamos falar da Avon?

Não dá para falar da história da perfumaria e cosmética no Brasil e no mundo e deixar a Avon de lado.

Impossível.

Na verdade eu estava pesquisando sobre perfumes antigos da Avon, e me deparei com uma história de profundo respeito às mulheres. Enfim, os perfumes acabaram ficando em segundo plano…

Vamos falar um pouco da história da empresa:

A Avon nasce em 1886 com o nome de California Perfume Company nos Estados Unidos. Neste momento de progresso e mudanças no país, o livreiro David H. McConnell funda uma empresa à frente de seu tempo. Ele oferece às mulheres, em uma época em que elas nem tinham o direito ao voto, a oportunidade de ganhar o próprio dinheiro como revendedoras de cosméticos. Ele próprio cria as fórmulas dos perfumes e recruta as revendedoras.

A primeira revendedora Avon é Florence Albee, uma senhora de 50 anos, casada e mãe de dois filhos.

O primeiro produto da California Perfume Company é o Little Dot Perfume Set, com cinco fragrâncias com notas únicas: Lírio do Vale, Violeta, Heliotrópio, Rosa Branca e Jacinto.

Ao mesmo tempo as mulheres conquistam espaço em outras áreas, competem pela primeira vez nas Olimpíadas de 1900 e na França a física Marie Curie torna-se a primeira mulher a ganhar o Prêmio Nobel.

Por volta do início da Primeira Guerra Mundial, a empresa começa a expandir suas operações para fora do país. As vendas continuam a crescer, passando a marca do milhão de dólares em 1920, mesmo ano em que as mulheres americanas ganham o direito de votar.  A California Perfume Company está agora bem posicionada em diversas categorias, incluindo sabonetes e outros produtos para banho, higiene bucal, limpeza doméstica e aromatizantes.

Os Estados Unidos e países de todo o mundo experimentam um prolongado e doloroso período de declínio econômico conhecido como a Grande Depressão. Apesar do terrível clima econômico, a California Perfume Company persevera. Também é durante esse período que a empresa muda oficialmente seu nome para Avon.  Em 1928 então a California Perfume Company usa, pela primeira vez, a marca Avon em alguns de seus produtos. O nome é uma referência ao rio que passa em Statford-on-Avon, cidade natal do escritor inglês William Shakespeare, autor favorito de McConnell. A logomarca da Avon, apresentada em 1929 em uma das linhas de cosméticos, inclui um esboço da casa de Anne Hathaway, a esposa de Shakespeare (não a atriz que conhecemos hoje).

Durante a Segunda Guerra Mundial, a Avon disponibiliza metade de suas instalações, em Suffern, para apoiar os esforços de guerra, produzindo kits para paraquedistas, recipientes para máscaras contra gases e produtos farmacêuticos.

Em 1954 surge a campanha Avon Chama! Ding Dong! Em 1958 a Avon chega ao Brasil!

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O famoso slogan da Avon, associado à campanha de vendas “de porta em porta”, se tornou conhecido no Brasil na década de 60. As revendedoras iam de casa em casa apresentando e oferecendo seus produtos. Foi a oportunidade que muitas donas de casa tiveram para entrar no mercado de trabalho e não mais dependerem somente do provento de seus esposos.

Em 1959 a Avon instala sua primeira fábrica no Brasil, na zona sul da capital paulista. O batom Clear Red é o primeiro produto produzido no Brasil.

Além do mais, valorizar a mulher é a filosofia da empresa desde o início. Atualmente, a Avon é a companhia que mais possui mulheres em seus quadros. No Brasil, 60% dos funcionários são do sexo feminino.

Para demonstrar a relação sólida que a Avon construiu com as mulheres ao longo do tempo, em 2003, a empresa criou o Instituto Avon (www.institutoavon.org.br), cujas ações extrapolam o universo feminino e mobilizam toda a sociedade em centenas de projetos pelo país, desde destinação de mamógrafos como capacitação de profissionais e outras iniciativas.  Além de lidar com a questão do Câncer de Mama, o Instituto, em 2007, abraçou a causa lançada mundialmente pela Avon Foundation contra a Violência Doméstica, vídeos explicativos, materiais informativos e a disseminação tanto da Lei Maria da Penha como do número 180 da Secretaria de Promoção de Políticas para as Mulheres.

Fonte: http://www.br.avon.com/PRSuite/whoweare_main.page

Não é publicidade. É informação e reconhecimento a uma empresa que fez e faz seu papel social e inegavelmente faz parte da história mundial no ramo da cosmética e perfumaria.

E quem não se lembra dos clássicos perfumes que vinham naquela embalagem Cristal? Não me lembro dos cheiros, mas lembro dos nomes: Topaze, Charisma,  Sweet Honesty, Toque de Amor – deste último tenho uma vaga lembrança, e não é boa.

Na verdade não me lembro do finado Toque de Amor para dizer se acho que ele não ornava comigo ou se eu achava que ele era de má qualidade, então prefiro não opinar.

E ainda existiam frascos das mais diversas formas, acho que minha mãe tinha um Topaze que era uma Torre Eiffel (achei uma imagem na net).

Eram vidros de perfumes se transformavam em enfeites para a casa! Gosto dessa idéia. Podiam reeditar! Mas com os perfumes atuais, por favor.

Veja post incrível sobre tais embalagens aqui (inclusive é de onde peguei algumas imagens deste post): http://carissimascatrevagens.blogspot.com.br/2010/06/avon-chama.htm

Muita coisa mudou na perfumaria Avon. Hoje são feitas parcerias com estilistas famosos e celebridades. Por vezes o apelo é mais popular, outras vezes não. Alguns perfumes fazem frente com grandes marcas internacionais, outros são águas de colônia bem ao gosto das brasileiras. E assim segue a Avon. Conquistando. Aposto que não tem uma mulher que não tenha ao menos um produto Avon em seu arsenal de beleza. Pode ser um batonzinho, mas tem!

Quem ainda tem o ranço do preconceito quanto a perfumaria da Avon, pense melhor. Veja quanta coisa boa a marca já fez pelas mulheres do Brasil e do mundo! Por isso, dá uma chance, conheça as novidades. As coisas mudam. Você pode se surpreender!

Inclusive esses dias adquiri um perfume da marca que muito me agradou, em breve falarei sobre ele..

Cleopatra’s Secret, Yakshi Fragrances

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Primeiro, perdoem a foto, está uma joça. Difícil fotografar com a câmera do celular um vidrinho de 9ml…

Em minha coleção de perfumes e aromas tenho algumas coisas exóticas e interessantes. Uma vez comprei por uma bagatela, em uma loja de todo tipo de produtos naturais (online e americana) algumas fragrâncias roll-on da marca Yakshi Naturals (http://www.yakshifragrances.com/). Segundo o site (o que fiz a compra), a proposta da Yakshi é “oferecer um cheiro maravilhoso, sem a presença do álcool. Estes aromas artesanais tem uso fácil, por serem roll-on e não vão sobrecarregar seus sentidos olfativos como muitos outros perfumes. Além disso, são de longa duração, de modo que não há necessidade de voltar a aplicar. Não têm petroquímicos ou óleos minerais. Não testado em animais”. Pronto, ganhou meu coração.

“O Yakshi nome refere-se a deusa árvore antiga da Índia. Todos os produtos Yakshi são feitos artesanalmente e são misturas de fragrâncias naturais e artificiais que não contenham a petroquímica ou do petróleo”.

Cleopatra’s Secret contém em sua formulação: óleo de coco, óleo essencial de limão, óleo essencial de jasmim, óleo essencial de rosa centifolia.

Olha, pelo preço que foi, acho que tais óleos vieram bem diluídos, afinal, a fixação de tal perfume não é tudo isso que é prometido. Ele é bem “a flor da pele”, íntimo. Nos primeiros  minutos projeta bem, mas logo se acanha e é preciso estar perto para descobrir o segredo de Cleópatra. Talvez essa seja a graça toda da coisa. 

Todas as notas estão presentes, o limão, o jasmim, a rosa. A rosa é brejeira, menina, acho que por causa do enlace com o limão. O jasmim aprofunda um pouco a fragrância, mas pouco, ela é um tanto quanto linear e com suas poucas notas bem mescladas.

Mas sabe, ele é bom. Lembra um attar, mas não é. É um óleo fino, gostoso de passar, daqueles que faz a gente levar o pulso ao nariz de tempos em tempos para vivenciar melhor e mais intensamente o aroma, sabe? Pretendo comprar mais algumas fragrâncias da Yakshi, pela proposta, pela qualidade, pelo prazer do cheiro simples, mas bem elaborado.

 

5:40 pm in Madagascar, Kenzo (Travel Collection)

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Pois então, pensei que 5:40 pm in Madagascar (vamos chamá-lo apenas de 5:40, ok?) fosse pura baunilha. Deve ser porque tal região é famosa pela produção de tal orquídea (http://www.wildmadagascar.org/brazilian-portuguese/kids/06-economy.html). E ele é pura baunilha, só que ao contrário. Vou explicar…

Primeiro, a pirâmide olfativa:

Notas de saída: lótus.

Notas de coração: frésia, cedro.

Notas de fundo: baunilha. Claro! 

Agora, para definir a evolução e como percebi o 5:40, vamos fazer assim:

Notas de saída: baunilha.

Notas de coração: frésia, cedro.

Notas de fundo: lótus.

Pronto, funciona assim: ao contrário. Estranho né? Nunca tinha visto uma baunilha que “abre” o perfume com força e esmaece, dando espaço para a nota delicada da flor de lótus.

5:40 me pegou de surpresa, de “calças curtas” como diria minha avó! A quente explosão de baunilha se foi junto com o calor da tarde, e trouxe o frescor do sol poente. Não desaparece por completo, ainda empresta algo morno e adocicado, mas sem ser invasivo e sem encobrir as notas florais. As notas sim, pois além da nota de lótus me parece que tem algo mais, arrisco um tico de nada de frangipani, mas deve ser meu louco nariz…

5:40 é de 2009 e seu frasco é lindo! Gostei muito dessa proposta turística da Kenzo. Quero conhecer os outros roteiros…