Perfume com Feromônio, eles existem? Onde vivem? O que comem?

Surgiu nos comentários aqui do blog tal assunto, o tal do perfume com feromônio! Primeiro lugar, o que seria isso?

“Também conhecidos como feromonas, os feromônios são hormônios sexuais que permitem que seres da mesma espécie se reconheçam e se interajam. Essas subtâncias são secretadas por mamíferos e insetos com o objetivo de impulsionar a atração sexual entre indivíduos intraespecíficos. O termo foi criado pelos cientistas Adolf Butenandt e Peter Karlson, que tem origem grega, pheren = transmitir, hormon = excitar.

Existem vários tipos de feromônios, que desempenham diferentes funções. Há os feromônios sexuais, que despertam a atração sexual entre macho e fêmea; os feromônios de alarme, que são secretados como forma de alerta quando num possível ataque de um predador; feromônios de trilha e ovoposição, que são utilizados para demarcar o caminho até uma fonte de néctar e o lugar onde foram depositados os ovos; feromônio de ataque, que é usado para mobilizar o grupo para um ataque a um organismo estranho; e os feromônios de agregação, que permitem que os insetos sejam atraídos pelos outros ao descobrir uma nova fonte de alimento”. (Fonte: http://www.infoescola.com/bioquimica/feromonios/).

Nunca acreditei nessa conversa de perfumes com feromônio. Sedução é tão mais do que isso… e seria até meio ilógico vender tal produto, imagina só você usando seu Perfumex Feromonex (inventei agora) na intenção de atrair aquele moreno-alto-bonito-e-sensual – sem controle nenhum sobre o perfume que está exalando – e acabar atraindo outras pessoas que não são de seu interesse, fazendo despertar nessas mesmas desejos eróticos inconfessáveis? No mínimo constrangedor…

O primeiro perfume que ouvi dizer que tinha os tais hormônios foi o da Paris Hilton. Pessoalmente, não acho o perfume nada sexy, acho bem convencional e quase sem graça. E nunca ninguém de repente me ofereceu flores isso é Impulse quando usei ele…

Se algum desconhecido um dia lhe oferecer flores, isto é impulse”. Esse sim devia ter feromônios!

Falando das propagandas antigas do desodorante Impulse (não achei em português), dá uma olhada no Youtube! Tem umas bem safadinhas! Como essa:

Deixando para lá os desodorantes dos anos 80/90 e sua promessa de sedução (um dia faço um especial sobre isso, tem coisa que não acaba mais), seguem fontes de matérias desmentindo a eficácia dos perfumes com os tais feromônios.

Acredito que o que pode acontecer é a pessoa se sentir mais confiante e atraente por estar usando um perfume que a agrada! E isso sem dúvida vai ajudar na hora da paquera! Melhor caprichar no sorriso, no bom papo e no seu perfume favorito se quiser seduzir alguém!

http://revistagalileu.globo.com/Revista/Common/0,,EMI135027-17799,00-PERFUME+COM+FEROMONIOS+PARA+ATRAIR+PARCEIRO+FUNCIONA+MESMO.html

http://vilamulher.com.br/sexo/perfume-de-feromonios-eles-funcionam-14605.html

http://saude.terra.com.br/perfume-com-feromonio-nao-funciona-na-seducao-diz-psicologa,86897d3d65766410VgnVCM20000099cceb0aRCRD.html

  

Perfumados Fragmentos Literários – Almeida Garrett

E hoje temos os versos do poeta, escritor e dramaturgo do romantismo português, Almeida Garrett!

Perfume da Rosa

Quem bebe, rosa, o perfume
Que de teu seio respira?
Um anjo, um silfo? ou que nume
Com esse aroma delira?

Qual é o deus que, namorado,
De seu trono te ajoelha,
E esse néctar encantado
Bebe oculto, humilde abelha?

– Ninguém? – Mentiste: essa frente
Em languidez inclinada,
Quem ta pôs assim pendente?
Dize, rosa namorada.

E a cor de púrpura viva
Como assim te desmaiou?
e essa palidez lasciva
Nas folhas quem ta pintou?

Os espinhos que tão duros
Tinhas na rama lustrosa,
Com que magos esconjuros
Tos desarmam, ó rosa?

E porquê, na hástea sentida
Tremes tanto ao pôr do sol?
Porque escutas tão rendida
O canto do rouxinol?

Que eu não ouvi um suspiro
Sussurrar-te na folhagem?
Nas águas desse retiro
Não espreitei a tua imagem?

Não a vi aflita, ansiada…
– Era de prazer ou dor? –
Mentiste, rosa, és amada,
E também tu amas, flor.

Mas ai! se não for um nume
O que em teu seio delira,
Há-de matá-lo o perfume
Que nesse aroma respira.

(Almeida Garrett, in Folhas Caídas, 1853)

Amour Nocturne, L’Artisan Parfumeur

Ganhei essa luxuosa amostra da amiga Andréa Faria! Como não ter siricuticos de curiosidade frente a um perfume caríssimo, de belíssima embalagem e chamado ‘Amor Noturno’? Minha alma que – esteticamente, deixo bem claro! – pende para o gótico, se encantou e imaginou um perfume vampiresco, escuro! Mas não é não…

Amour Nocturne é estranhamente gustativo: temos uma banheira com leite (achei que era leite de cabra misturado com leite de coco, algo entre o metálico e o adocicado) e caramelo. Mas aí aparece algo sintético, borracha, pneu novo ou algo do gênero. Afoito, mergulha no leite e pisoteia o caramelo.

O leite parece gostar desta impetuosidade, envolve-se com a borracha e fica um acorde interessante: meio humano meio máquina, uma coisa bem steampunk. O caramelo fica por aí, enciumado do enlace dos dois, e volta e meia tenta aparecer mais do que eles, elevando-se em nuvens esfumaçadas doces e escuras.

No final o aspecto leitoso ganha nuances amadeiradas secas e de doçura meio corporal. Cheiro de pele morna ao acordar, cheiro da gente que fica no pijama, entende?

E no final, depois de 4 horas de uso (depois disso ele sumiu na minha pele), senti algo como fósforo (antes de ser aceso).

Esquisito – e bom – o Amour Nocturne! Mas eu não pagaria as 115 Libras pedidas pelo site da marca.

Criado por Bertrand Duchaufour em 2013, suas notas olfativas são: cedro, leite, caramelo, orquídea, pólvora (!).

* imagem retirada daqui.

Opium Fraicheur d’Orient, Yves Saint Laurent

Você gosta de incenso? Desses de casas de roupas indianas e produtos esotéricos? Eu gosto! E te digo qual meu preferido entre os ‘bons, baratos e fáceis de achar’: o Padmini da ‘Deusa Azul’. Ele é de sândalo com canela e há algum tempo atrás, era mais intenso, os palitinhos tão carregados de essência que ao manipulá-los, suas mãos ficavam exalando o aroma por um bom tempo. Chegavam a ser oleosos… e eu adorava esfregar eles nos braços para ficar sentindo o cheirinho mais tempo…

Tudo isso para dizer que o Opium Fraicheur d’Orient é a versão líquida deste incenso! Como bom filho do Opium, ele é carregado de especiarias, esfumaçado, tem um cheiro doce-profundo que vem de bálsamos e resinas!

Quando digo que é ‘carregado’ de especiarias não estou brincando: tem coentro, gengibre, canela, pimenta-preta. Tem mexerica-cravo quase enjoativa de tão doce! E tem base de sândalo, patchouli, âmbar, mirra e almíscar…

O curioso disso tudo é que mesmo com tanta potência em suas notas olfativas e carregando o nome do Opium, você pode borrifar à vontade: ele é um body mist, não contém álcool em sua formulação. Sua fixação, obviamente, não é tão longa. Exala de forma sensual por umas 3 horas depois vai sumindo da pele. Melhor que muito EDT/EDP atual....  Tal qual vareta de incenso queimando, um prazer breve e inebriante!

Resumindo, que flanker lindo do imponente Opium, esse nascido em 1998! Pena que é tão difícil de achar. Cheguei a pensar que ele é tudo que o Belle D’Opium deveria ser…

Notas olfativas: tangerina,, pimenta, gengibre, canela, jasmim, cravo (flor), coentro, almíscar, âmbar, patchouli, madeiras e resinas (aposto alto na mirra!).

Sumo ritualístico, transita entre o sacro e o profano! Uma auto-oferenda perfumada!

Mais falso do que uma nota de 3 reais!

Saiu esses dias no G1 uma matéria sobre um perfume falsificado que estava em uma vitrine na Inglaterra. O mesmo atendia pelo nome de Chamelle °5.

'Chamele Nº 5' ganhou apelido de pior falsificação da história (Foto: Reprodução/Twitter/1001portails UK)

Falamos sério sobre o assunto aqui, mas hoje a intenção é outra: diversão!

Vamos ver as falsificações mais grosseiras engraçadas! Fique a vontade para colaborar nos comentários!                                                                                                                                                                                                     

https://aloucadosperfumes.com/wp-content/uploads/2015/02/b78f7-miss2bdior2bcheri2bfake.jpg

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E você, o que viu de bizarro por aí, nesse criativo (e perigoso) mundo dos perfumes falsificados?

Sobre o livro “The Romance of Perfume”, de Richard Le Gallienne

Achei por aí algo sobre o livro “The Romance of Perfume”, do poeta inglês Richard Le Gallienne (20/01/1866 – 15/09/1947).

“Foi publicado para comemorar a abertura da perfumaria de Richard Hudnut em Paris, contém um folheto especial intituladoAt 20 Rue de la Paix’, em invólucros de papel costurado com fita de cetim, publicidade loja de Hudnut. Livro e folheto ilustrados por George Barbier, no estilo Art Deco. O texto de Le Gallienne celebra os usos culturais e cerimoniais de perfume ao longo dos tempos”.

Olha, eu procurei viu… mas achei pouquíssimo sobre tal obra. Descobri que ele possui 46 páginas e formato 25 x 17cm. E sei que está a venda no Amazon pela modesta quantia de 85,99 dólares. Em outros sites chega a custar 275 dólares.

Agora, o mais belo: as ilustrações de George Barbier!

 George Barbier ~ China from The Romance of Perfume by Richard Le Gallienne ~ 1928 ~ via The Pictorial Arts   India. The Romance of Perfume, Richard Le Gallienne, 1928. Illustrations by George Barbier

Egypt. The Romance of Perfume, Richard Le Gallienne, 1928.  Illustrations by George Barbier  

 

Na ordem: China, Índia, Egito, Grécia Antiga, Roma Antiga, França do século 18. Um tesouro, não?

Fontes: http://www.baumanrarebooks.com/rare-books/le-gallienne-richard/romance-of-perfume/72860.aspx

http://en.wikipedia.org/wiki/Richard_Le_Gallienne

Todas as ilustração do livro por George Barbier podem ser vistas aqui: http://josephjgabriele.com/romance-of-perfume/#.VO4pCy6ifpA

Les Fruits: Orange Canelle, Molinard

Lá vem aloucadosmolinard! E desta vez vem fresquinha, para tentar driblar o calorão abafado aqui de SP! Uma vez eu disse aqui que não sou grande fã de perfumes cítricos, e de fato, não sou. E confesso que esperava mais especiarias, mais ‘doçura’ no Orange Canelle.

Boba eu, que devia ter visto que ele é um ‘cítrico aromático’, aquela coisa bem água de colônia mesmo. E como tal, Orange Canelle cumpre bem seu papel. Nada do adocicado panetone-jujuba do Eau Aimable! Ele lembra mesmo o Karma da Lush, mas bem mais suave, diluído.

Começa com laranjas, mexericas cravo (aquelas pequenas e super cheirosas), limonada-suíça! Nas notas de saída tem algo doce, mas não é nada gourmand. É doce-azedinho, coisa de fruta cítrica no ponto! Logo aparece uma nota esfumaçada e resinosa: incenso! A canela é polvilhada suavemente, e ao meu ver aumenta o poderio da nota incensada, torna-a mais doce e picante!

Orange Canelle é exótico! Segundo minha sogra, que ama perfumes cítricos, ele é o ‘cítrico perfeito’! Baita elogio heim…

Dura pouco na pele, é um prazer fugaz! Depois de 2 horas ele some, como quase todas águas de colônia.

Sabe o que Orange Canelle me faz pensar? Naqueles ‘Vinaigrettes’, as garrafinhas contendo sais perfumados que faziam as damas voltarem de seus desmaios provocados muitas vezes pelos espartilhos deveras apertados. Se eu tivesse uma garrafinha dessas, seu conteúdo teria o cheiro do Orange Canelle!

Killer Queen, Katy Perry

Diz a cantora Katy Perry que a mulher descrita por Freddie Mercury na música ‘Killer Queen’ (do álbum Sheer Heart Attack, de 1974) a inspira desde seus 15 anos e é o retrato da mulher que ela sonhava ser.

Em minha modesta opinião, fã que sou da boa perfumaria e do Queen, acho que a ‘dama’ descrita na canção não se daria muito bem com o perfume da Katy Perry. E explico o motivo:

A música fala que os perfumes da “Rainha’, vinham naturalmente, de Paris. Em outro momento, cita a suposta relação dela com Khrushchev e Kennedy. Ora, tais líderes são lá dos anos 50/60. E nesta época, o que tínhamos na perfumaria em Paris? Muita coisa, mas nada do estilo do rubi da Katy. Ainda bem.

Divagações a parte, vamos ao perfume, na minha opinião, erroneamente nomeado de Killer Queen…

É a cara dos clips da Katy Perry. Tudo docinho, com estética girlie! Começa com frutinhas vermelhas em profusão! Chuva de frutinhas vermelhas, ao natural e em forma de balas de gelatina.

As notas florais de seu coração, o jasmim e a frangipani são facilmente identificáveis, dão um pouco mais de ‘consistência’ ao perfume, mas ainda são tímidas e se deixam esconder facilmente pelo turbilhão doce das frutinhas de gelatina.

As notas de base são macias e adocicadas, coisa da nota amadeirada e do pralinê. O patchouli faz só uma ‘ponta’, dá uma tchauzinho tímido e fica o resto do tempo ali no canto, triste figurante que tentou trazer uma tonalidade doce mais adulta, mas foi colocado pra correr pelos confeitos.

E só, acabou.

Perfume voltado ao público adolescente, perfume de celebridade. Geralmente eles são assim, rasos.

Mas o frasco é bonito que só! Aliás, de todos os perfumes da Katy Perry né? Eu mesma estou louca pelo Purr, só por causa do gato…

Notas de saída: bergamota, ameixa, frutas roxas e vermelhas.

Notas de coração: jasmim, frangipani, celosia.

Notas de base: pralinê, patchouli, madeira de Cashmere.

Baby Rose Jeans, Versace

Já tive, mas troquei, na época algo nele me desagradou. Daí encontro entre as amostras recebidas da queridíssima amiga Adriana Meire, um decant do Baby Rose. Como esses dias de Carnaval foram mais amenos aqui em SP, resolvi promover tal reencontro. E olha, valeu a pena! Baby Rose, reparei que você é tão bonitinho! Adolescente, ora atrevido ora tímido, mas nunca mal educado ou irritante como os perfumes atuais direcionados a tal público.

Começa polvoroso e picante, como se uma nuvem de violeta e sândalo te envolvesse. Engraçado, essas não deviam ser as notas médias? Ai ai, esses adolescentes…

Surge ao mesmo tempo algo cítrico, doce e fresco! É você, flor-de-laranjeira! E vem em turma, como bom adolescente deve fazer. Tem outras flores frescas como companhia!

A baunilha surge lá no finalzinho, nada gourmand. Fica o tempo todo abraçadinha com o sândalo, que é inconstante, e trocou de par: antes a violeta, agora a baunilha. Como culpá-lo! Como resistir a tão belas mocinhas?

O engraçado de tudo, é que embora seja muitas vezes juvenil e quase pueril, Baby Rose ainda assim cheira datado. Você percebe na hora que é um perfume já com 20 anos nas costas. Meninas que usaram Giovanna Baby e Mamãe de Bebê lá nos anos 90 me entenderão… Coisa de época, de memória olfativa. Anos 90 lotado de moças cheirando a bebê! Hoje, nos dias do politicamente correto e da hipocrisia e do boca-pra-fora, será que seriam criticadas por de repente estimular fantasias pedófilas?

Enfim, Baby Rose Jeans nasceu em 1995 e suas notas olfativas são: sândalo, mandarina, violeta, frésia, baunilha, jacinto, néroli e lírio-do-vale.

Carnaval! Antes, era tempo de lança-perfume!

Conta minha mãe, nascida em 1939, que em seus tempos de menina, carnaval era época de lança-perfume.

Segue um pouco sobre tal produto, segundo a Wikipedia…

O lança-perfume foi industrializado pela Rhodia (empresa francesa) e importado para o Brasil a partir de sua sede na Argentina. Em 1922, era fabricado o primeiro lança-perfume nacional pela Rhodia instalada em São Bernado do Campo, ABC de São Paulo. O lança-perfume apareceu no carnaval de 1904 no Rio de Janeiro, sendo rapidamente incorporado aos festejos carnavalescos de todo o Brasil, principalmente nos blocos de rua e bailes. O produto tornou-se símbolo do Carnaval.

A marca Rodouro foi muito solicitada nos carnavais brasileiros, até que os foliões passaram a utilizá-la como bebida ou inalá-la. A partir de então, foi proibido o uso em salões e mais adiante a sua comercialização.

Em 1961 por recomendação do jornalista Flávio Cavalcanti seguida de um decreto do então Presidente Jânio Quadros, o lança-perfume acabou sendo proibido no Brasil, após alguns casos de morte de usuários por embriaguez seguida de acidentes fatais.

Veja mais sobre aqui. Segundo tal fonte, o produto tinha cheiro semelhante ao L’Air dus Temps de Nina Ricci!

Mas vamos viajar no tempo de novo, e ver antigos anúncios de lança-perfume!

Se liga na mão-boba do Pierrot…